O que é o vaginismo
Vaginismo é uma contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico, o conjunto de músculos que forma o chão da pelve. Involuntária quer dizer que você não manda nela: mesmo com desejo e vontade, o músculo se fecha e a penetração fica dolorosa ou impossível.
Não é só na relação. Muitas mulheres com vaginismo não conseguem usar absorvente interno, sentem muita dor no exame ginecológico com espéculo (o aparelho que o ginecologista usa) ou não conseguem fazer esse exame. A dor costuma ficar na entrada da vagina, não lá no fundo.
Por trás do vaginismo quase sempre existe medo de sentir dor. Pode vir de uma primeira experiência ruim, de coisas que você ouviu a vida inteira sobre sexo ser dolorido, de um trauma ou da falta de conhecer o próprio corpo. O corpo entende a penetração como ameaça e se defende. É mais frequente em mulheres jovens que estão começando a vida íntima, mas também aparece depois da menopausa, quando a mulher volta a ter relações.
Você se reconhece em alguma destas frases?
Se algum destes acontece com você, vale uma avaliação. Não precisa de pedido médico.
- Na hora da penetração, parece que fecha e não passa nada.
- Não consigo usar absorvente interno.
- O exame ginecológico é um sofrimento, ou eu nem consigo fazer.
- A dor é na entradinha, logo no começo.
- Tenho vontade, mas o meu corpo trava.
- Só de pensar na penetração eu já fico tensa.
- Comprei dilatadores, tentei sozinha e não avancei.
Como é o tratamento, passo a passo
Fisioterapia pélvica não é aperta e solta. No vaginismo o músculo já está tenso, e músculo tenso não é músculo forte. Por isso o caminho é o contrário do que muita gente imagina: primeiro relaxar, alongar e dar flexibilidade, e só depois, se for preciso, trabalhar força. Você não precisa de pedido médico para começar.
- Uma primeira consulta que é conversaComeçamos entendendo a sua história, seus medos e suas dúvidas, sem julgamento. Com um modelo anatômico, você vê onde fica o músculo e por que ele trava. Muitas vezes a primeira consulta fica só nessa conversa, e está tudo bem.
- Toque só com a sua permissãoA avaliação física é importante, mas não precisa acontecer no primeiro dia. Quando acontecer, é com termo de consentimento, devagar e até onde você permitir. Começa por fora, sem penetração, e você pode pedir para parar a qualquer momento. Se quiser, seu parceiro pode acompanhar.
- Relaxar, respirar e soltar o quadrilVocê aprende a respirar de um jeito que ajuda o músculo a soltar e faz exercícios de mobilidade da pelve, como empinar e encaixar o quadril. Muitas mulheres com vaginismo têm o quadril muito rígido, e dar movimento a ele faz parte do cuidado.
- Técnicas manuais na regiãoNo consultório entram a massagem perineal e a liberação miofascial, técnicas feitas pelo fisioterapeuta para deixar a entrada da vagina mais flexível e menos dolorida.
- Dilatador só no fim, e com orientaçãoO dilatador é um recurso dentro do tratamento, usado mais para a etapa final, depois do relaxamento e da consciência do corpo. Forçar o dilatador sozinha pode machucar e piorar o quadro.
Quer saber se é o seu caso?
A primeira consulta é uma conversa, sem toque obrigatório e sem pedido médico.
“Eu vou tocar à medida do que você me permitir. Se estiver doendo muito, você me avisa, eu vou devagar.”
“Musculatura tensa não é musculatura forte. Primeiro, relaxar essa musculatura para depois aprender a contrair essa musculatura.”
Assista antes de marcar
Aulas do canal do Dr. Gustavo sobre este tema. Bom para chegar à consulta já sabendo o que esperar.
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O que dizem os pacientes
Trechos de avaliações públicas no Doctoralia, com o nome abreviado.
Estava com medo e algumas dúvidas e fui acolhida e muito bem orientada.
Me deixou muito confortável, faz um ambiente descontraído, me senti relaxada para falar abertamente sobre coisas que normalmente sentimos vergonha.
Dúvidas frequentes
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Vou ter que ser tocada na primeira consulta?
Não necessariamente. A primeira consulta é principalmente conversa. O toque só acontece com a sua permissão, com termo de consentimento, e pode ficar para outro dia. Seu parceiro pode acompanhar, se você se sentir mais segura assim.
Dá para tratar o vaginismo online?
Sim. O vaginismo é tratado junto com a dor na relação e a dor pélvica crônica, e dá para fazer o acompanhamento por vídeo, com conversa, orientação, respiração e exercícios guiados. Quando for importante, combina-se uma avaliação presencial.
Só exercício trata o vaginismo?
Não. Exercício de força, o famoso aperta e solta, é contraindicado no vaginismo, porque aumenta a tensão de um músculo que já está tenso. Antes é preciso avaliar e relaxar a musculatura, e é isso que a fisioterapia pélvica faz.
Comprei dilatadores. Posso usar sozinha?
Não é recomendado começar por eles. Forçar o dilatador pode machucar e piorar o quadro. Ele é um recurso usado mais no fim do tratamento, depois de etapas como respiração, mobilidade e liberação do músculo, e sempre com orientação.
Existe remédio ou aparelho que trate o vaginismo sozinho?
O vaginismo é uma contração do músculo, então o cuidado passa por trabalhar o corpo. Remédios e aparelhos podem ter papel em situações específicas, indicados por quem acompanha você, mas sozinhos não tratam o músculo.
Vaginismo só acontece com mulheres jovens?
É mais frequente em mulheres jovens que estão começando a vida íntima, mas também aparece depois da menopausa, quando a lubrificação diminui e a mulher volta a ter relações.
Mulher com vaginismo pode perder xixi?
Pode, e é bem comum. Um músculo que já está fechado de tensão não consegue contrair direito na hora de segurar o xixi. Por isso o caminho é primeiro relaxar e depois aprender a contrair.
Sinto como se houvesse uma parede na hora da penetração. É vaginismo?
Essa sensação de barreira, mesmo quando a mulher tem vontade, é uma característica clássica do vaginismo. É uma contração involuntária do músculo do assoalho pélvico, muitas vezes ligada ao medo de sentir dor. Não existe um número de tentativas para procurar ajuda: se a penetração não está acontecendo e isso gera angústia, vale uma avaliação.
Nunca sofri nenhum trauma. O que pode ter causado o meu vaginismo?
Nem sempre há um trauma. Muitas vezes entram o medo, a insegurança, uma educação muito repressora ou experiências ruins em relacionamentos anteriores, e o corpo responde se fechando. Por isso a conversa na avaliação, sobre quando e em que contexto começou, faz parte do tratamento.
Sou virgem. Dá para tratar o vaginismo?
Dá. A musculatura mais afetada no vaginismo é a superficial, então o trabalho pode começar por fora, sem introduzir nada. Tudo é conversado e feito no seu ritmo, com o seu consentimento, e o toque interno só entra quando você permitir.
Como o meu parceiro pode ajudar no vaginismo?
Indo muito devagar, sem pressa e sem cobrança, e entendendo que não é falta de vontade: o corpo se fecha sem a mulher querer. O parceiro pode participar de uma consulta para entender a condição e aprender, na prática, como apoiar o processo.
Quem atende: Dr. Gustavo Travassos
Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória
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