Agachamento faz perder xixi?
Agachar não faz perder xixi por si só. O que pode levar à perda é agachar, ou pegar qualquer peso, com a respiração travada e a força indo para baixo, sem que o assoalho pélvico esteja preparado para aguentar essa pressão.
O assoalho pélvico é o conjunto de músculos que fica na base da pelve, como o chão de uma casa. Ele sustenta a bexiga, o útero e o intestino e ajuda a fechar a saída do xixi e do cocô. Quando ele não acompanha a força que você faz no treino, o xixi pode escapar.
Isso não quer dizer que a academia seja proibida. A atividade física faz bem, e o próprio Dr. Gustavo diz que acha maravilhosa essa cultura de malhar. A questão é treinar sabendo que essa musculatura existe e precisa ser respeitada.
O que acontece dentro da barriga quando você faz força
Pense no tronco como duas caixas, uma em cima da outra: o tórax e a barriga. Entre elas fica o diafragma, o principal músculo da respiração. Quando você puxa o ar, o diafragma desce, empurra um pouco os órgãos para baixo e o assoalho pélvico desce junto. Quando você solta o ar, o diafragma sobe e o assoalho pélvico sobe também.
Agora imagine um agachamento com peso nas costas. A maioria das pessoas puxa o ar, trava a respiração e faz a força. A barriga fica dura, a coluna fica firme, e a pressão dentro da barriga aumenta muito. Isso se chama pressão intra-abdominal. Essa pressão precisa sair por algum lugar, e ela empurra a bexiga e o assoalho pélvico para baixo.
Quando isso se repete treino após treino, o assoalho pélvico vai sendo esticado. O Dr. Gustavo compara com aquela xuxinha de cabelo: de tanto ser esticada, ela perde a elasticidade e fica frouxa. Um músculo frouxo segura menos, e é aí que o xixi escapa no salto, no peso ou no agachamento.
“Assim como você malha o bumbum, a barriga, os braços, você também tem que condicionar o seu assoalho pélvico.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal
Você faz força de cocô?
Essa é a pergunta que o Dr. Gustavo faz para quem treina pesado. Na hora do agachamento, você faz força para dentro ou para fora? Se a sensação é de empurrar para baixo, como quem faz força para evacuar, você está jogando toda a carga em cima do assoalho pélvico.
Com o tempo, essa força para fora pode trazer mais do que a perda de xixi. Ele cita a queda de órgãos, como a bexiga baixa e a queda do útero, e, nos homens, a hemorroida por excesso de força. E chama atenção para um detalhe: tem atendido mulheres jovens, que treinam muito, já perdendo xixi.
A boa notícia é que o corpo foi feito para aguentar muita pressão. Um assoalho pélvico bem condicionado consegue continuar fechado mesmo com carga nas costas. Perder xixi no treino não é o preço de malhar. É um sinal de que essa musculatura precisa de atenção.
Core e assoalho pélvico: a parte mais frágil do barril
Quem treina conhece a palavra core. É um conjunto de músculos que fecha a região da barriga como um barril: o diafragma em cima, o abdômen na frente, os músculos das costas atrás e o assoalho pélvico embaixo. Dos quatro, o assoalho pélvico é o que costuma estar menos preparado, porque tem passagens, como a uretra, que é o canal por onde sai o xixi, e porque muita gente nem sabe que ele existe.
Exercícios como a elevação pélvica, aquela ponte em que você sobe o quadril deitada, trabalham os músculos do quadril e do bumbum. Eles ajudam, mas sozinhos não fortalecem o assoalho pélvico. Associados à contração certa dessa musculatura, aí sim entram no treino, desde que você tenha aprendido antes como fazer.
O pilates é uma ótima ferramenta para o core e para a consciência corporal, e o Dr. Gustavo recomenda que a pessoa se movimente. O trabalho específico do assoalho pélvico, que exige avaliação e às vezes toque para conferir se a contração está certa, é papel do fisioterapeuta pélvico. Depois disso, seguir no pilates é uma excelente forma de manter o que foi aprendido.
Como treinar cuidando do assoalho pélvico
Prevenir é mais simples do que remediar. Algumas atitudes já mudam a forma como a pressão chega lá embaixo:
- Faça a força soltando o ar, não com a respiração presa. Na expiração o diafragma sobe e alivia a pressão.
- Perceba se a força vai para fora. Se parece força de cocô, ajuste o movimento ou a carga.
- Aprenda a contrair o assoalho pélvico na hora do esforço. Como é um músculo interno, quase ninguém acerta sozinho.
- Se você sente dor na região íntima, não force contrações. Músculo tenso não é músculo forte, e contrair demais pode aumentar a tensão e a dor.
- Trate o assoalho pélvico como você trata o resto do corpo no treino: com orientação.
Quando procurar um fisioterapeuta pélvico
Se você perde xixi ao agachar, pular, correr ou pegar peso, sente peso ou algo descendo na região íntima, ou tem dor que piora com o treino, vale fazer uma avaliação. E não precisa esperar o problema aparecer: quem treina pesado pode procurar o fisioterapeuta pélvico para aprender a usar essa musculatura antes.
Na avaliação, o fisioterapeuta pélvico confere como essa musculatura está funcionando e ensina a contração correta, que é difícil de aprender só por vídeo. Não é preciso pedido médico para começar. A ideia é que você continue treinando por muitos anos, com o assoalho pélvico acompanhando o resto do corpo.



