O que são os exercícios de Kegel
Exercícios de Kegel são exercícios de contração e relaxamento dos músculos do assoalho pélvico, e a resposta honesta para como fazer é: do jeito que a sua avaliação mostrar, porque cada pessoa precisa de uma coisa e, em alguns casos, contrair piora o problema.
O nome vem de Arnold Kegel, um ginecologista norte-americano. Na década de 1940, ele percebeu que muitas das suas pacientes, principalmente depois do parto, tinham perda de urina, sensação de flacidez vaginal e dificuldade para evacuar. Para entender o porquê, criou um aparelho que mede a força dos músculos da região, o perineômetro, e descobriu que nessas mulheres o músculo contraía com pouca força.
A partir daí ele passou a indicar exercícios para essa musculatura e montou o primeiro protocolo de treino do assoalho pélvico. Foi o ponto de partida do que hoje é a fisioterapia pélvica. A base dele continua importante, mas a área evoluiu muito desde então, com avaliação mais detalhada, biofeedback e eletroestimulação, recursos que não existiam na época.
A maioria das pessoas não contrai o músculo certo
Parece simples: imagine que está segurando o xixi ou um pum. Esse comando até dá uma sensação de que algo está trabalhando. O problema é que sensação não é prova. No consultório, o Dr. Gustavo vê isso todos os dias: a pessoa diz que sabe contrair, ele pede a contração na avaliação, e o músculo quase não se mexe.
Isso acontece porque o assoalho pélvico é um músculo interno. No exercício de academia você tem o espelho para corrigir o braço torto. Aqui não tem. Muita gente aperta a coxa, o bumbum ou a barriga achando que está contraindo o assoalho pélvico.
E existe um erro ainda pior: fazer força para baixo, empurrando, em vez de puxar para dentro e para cima. É o mesmo movimento de quem faz força para evacuar. Repetido muitas vezes, ele sobrecarrega justamente o músculo que você queria fortalecer.
“Nem tudo é exercício, nem tudo é contração. Nos casos de mulheres que sentem dor na relação, você tem contraindicação pra fazer exercício.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal
Aperta e solta não é tudo
A frase que o Dr. Gustavo mais repete é esta: fisioterapia pélvica não é aperta e solta. Um músculo saudável precisa de várias qualidades ao mesmo tempo, e cada pessoa tem uma delas mais fraca.
Tem quem contraia com força, mas canse em poucos segundos. Tem quem aguente bastante tempo, mas não consiga contrair rápido na hora de uma tosse. Tem quem nem consiga relaxar direito depois de contrair. Um treino genérico, igual para todo mundo, não enxerga essas diferenças. Por isso este artigo não traz uma série de exercícios para copiar: o treino certo é o que nasce da sua avaliação.
- Força: o quanto o músculo consegue apertar
- Resistência: por quanto tempo ele aguenta sem cansar
- Coordenação: contrair e soltar na hora certa, como no momento de uma tosse
- Relaxamento: conseguir soltar por completo depois de contrair
Quando contrair piora
Músculo tenso não é músculo forte. Em algumas condições o assoalho pélvico já está rígido demais, e fazer mais contração só aumenta essa tensão.
É o caso do vaginismo, quando os músculos da entrada da vagina se fecham de forma involuntária e a penetração dói ou não acontece, e da dor na relação em geral. Nessas situações, o aperta e solta é contraindicado. O caminho começa por ensinar o músculo a relaxar e, só depois, se for preciso, entra o fortalecimento.
A lista de quando apertar não ajuda vai além. Prisão de ventre pode estar ligada a um músculo que não relaxa na hora de evacuar. Algumas infecções urinárias de repetição acontecem porque o músculo tenso não deixa a bexiga esvaziar por completo. Até algumas dores lombares têm a ver com tensão nessa região. E há quem perca xixi justamente porque o músculo está tão rígido que perdeu força.
Por que avaliar antes de começar
A única forma de saber se você está contraindo certo é sentir o músculo por dentro, no toque do fisioterapeuta ou num aparelho de biofeedback, que mostra a contração num gráfico na tela. É ali que você e o profissional enxergam juntos o que está acontecendo.
No consultório do Dr. Gustavo, a primeira consulta é uma conversa. O toque só acontece com a sua permissão, pode ficar para outro dia, e seu parceiro ou parceira pode acompanhar. Depois que você aprende a usar o músculo certo, leva para casa um treino feito para você, para fazer com a regularidade de quem escova os dentes.
Quando procurar um fisioterapeuta pélvico
Se um médico indicou exercícios de Kegel, na prática ele está indicando o treino do assoalho pélvico, e quem avalia e conduz esse treino é o fisioterapeuta pélvico. Procure um também se você perde xixi, sente dor na relação, tem prisão de ventre ou sensação de peso na região, ou se já tentou exercícios por conta própria e não sabe se está fazendo certo. Não precisa de pedido médico.
E não precisa esperar um problema aparecer. Algumas consultas para aprender a sentir e usar esse músculo já ajudam você a cuidar dele pelo resto da vida.



