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Bexiga baixa: sintomas, graus e o que fazer

Bexiga baixa é quando a bexiga desce do lugar porque os músculos que a sustentam, o assoalho pélvico, ficaram fracos. Nos graus 1 e 2, a fisioterapia pélvica é a primeira escolha; nos graus 3 e 4, a cirurgia entra, e a fisioterapia continua importante antes e depois.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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O que é a bexiga baixa

Bexiga baixa é a descida da bexiga para dentro do canal vaginal, causada pelo enfraquecimento dos músculos que a seguram. O nome técnico é cistocele, e ela faz parte de um grupo de problemas chamado prolapso, que quer dizer queda de órgão.

Para entender, pense na pelve como um andar de um prédio. Dentro dela ficam a bexiga, na frente, o útero, no meio, e o final do intestino, atrás. Embaixo de todos eles existe um conjunto de músculos chamado assoalho pélvico, que funciona como o chão desse andar. Se o chão fica frouxo, o que está em cima começa a descer para o andar de baixo.

A bexiga é a mais conhecida, mas não é a única que pode cair. O útero também pode descer, e o reto também (quando é o reto, o nome é retocele). Às vezes desce mais de um órgão ao mesmo tempo. Por isso, o primeiro passo é descobrir qual órgão desceu, e isso não se descobre só pela conversa.

Sintomas: peso, bola e outros sinais

O sinal mais comum é a sensação de peso na vagina, uma coisa estranha lá embaixo, difícil de explicar. Muitas mulheres descrevem exatamente assim. Outras percebem na hora do banho, ao se lavar, que existe uma bola saindo pelo canal vaginal. Pela vagina não deveria sair nada além da secreção natural e da menstruação. Se você tocou em alguma estrutura ali, é sinal de alerta.

Como o assoalho pélvico também é o músculo que fecha a uretra, é frequente a bexiga baixa vir junto com perda de xixi. Fique atenta a estes sinais:

  • Sensação de peso ou de algo estranho na vagina
  • Uma bola que aparece na entrada da vagina, principalmente ao se lavar ou ao tossir
  • Perda de xixi ao tossir, espirrar ou fazer força
  • Dor no fundo durante a relação
  • Sensação de vagina mais frouxa
  • Dificuldade para fazer xixi ou cocô e incômodo entre as pernas ao andar, nos casos mais avançados
“Elas falam assim: doutor, eu sinto um peso na vagina. Isso é um sinal típico de quem tem um prolapso.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

Os graus do prolapso e por que eles importam

O prolapso é classificado em quatro graus, conforme o quanto o órgão desceu. Essa classificação ajuda a decidir o caminho do tratamento.

Nos graus 1 e 2, a queda ainda é pequena. Aqui a fisioterapia pélvica é a primeira escolha, porque trabalha a causa do problema: a fraqueza do assoalho pélvico. O objetivo é dar firmeza às estruturas que sustentam a bexiga enquanto elas ainda respondem bem ao treino. Esperar o grau aumentar só deixa o quadro mais difícil.

Nos graus 3 e 4, o órgão desceu muito e, em geral, já chega a sair do corpo. Nessa fase, a queda puxa ligamentos e outras estruturas de sustentação, e em geral a indicação é cirúrgica. Mesmo assim, a fisioterapia tem papel antes e depois da cirurgia.

Quem diferencia se a queda é da bexiga, do útero ou do reto, e em que grau está, é a avaliação física com toque. Alguns testes simples, como pedir para você tossir enquanto o dedo apoia uma das paredes da vagina, mostram qual parede desceu. Um prolapso de reto grande também pode formar uma bola na entrada da vagina e ser confundido com bexiga baixa, por isso essa avaliação faz diferença.

A casa na rocha e a casa no pântano

Imagine que você vai construir uma casa. Você prefere construir em cima de uma rocha firme ou em cima de um pântano, um terreno mole e movediço? A resposta é óbvia: na rocha, porque a base fica firme. Com os órgãos da pelve é igual. A fundação da casa é o assoalho pélvico.

É por isso que o tratamento olha para o músculo. A fisioterapia pélvica não é só o aperta e solta. Muita gente acha que sabe contrair essa musculatura e, na avaliação, descobre que não sabe. O trabalho começa por ensinar você a encontrar e usar esse músculo, muitas vezes com aparelhos que mostram a contração numa tela, e segue com exercícios de força, resistência e coordenação ajustados ao seu grau.

Também vale pensar em prevenção, do mesmo jeito que você escova os dentes todo dia para não ter problema na boca. Você não precisa esperar ter um prolapso para cuidar do assoalho pélvico. A fraqueza pode aparecer em qualquer idade, inclusive em mulheres jovens e que nunca tiveram filho. Sobrepeso, tabagismo, sedentarismo, levantar muito peso de forma inadequada e o próprio envelhecimento pesam sobre essa musculatura.

Quando a cirurgia entra

A cirurgia tem indicação clara, principalmente nos graus 3 e 4. Ela reposiciona o órgão e reforça o suporte com ligamentos, fáscias (as películas que envolvem os músculos e órgãos) e, em alguns casos, uma faixa sintética. É um recurso importante quando a queda é grande.

O ponto é que a cirurgia corrige a posição do órgão, mas não fortalece o músculo que o sustenta. Se o assoalho pélvico continua fraco, a base continua frágil. Por isso, quem vai operar se beneficia de fazer fisioterapia antes, para preparar a musculatura, e depois, para dar à região a sustentação que a cirurgia sozinha não constrói. Se você já tem uma cirurgia indicada, vale conversar com o seu médico sobre incluir a fisioterapia pélvica no plano.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Procure uma avaliação se você sente peso na vagina, percebeu uma bola ao se lavar, recebeu o diagnóstico de bexiga baixa em qualquer grau, perde xixi junto com essa sensação ou já operou e sente que o problema está voltando. Não precisa de pedido médico.

A primeira consulta é uma conversa sobre o que você sente e o seu histórico. O exame com toque só acontece com a sua permissão, com termo de consentimento, e pode ficar para outro dia. É a partir dessa avaliação que o plano de tratamento é combinado com você.

Dúvidas sobre este tema

Bexiga baixa grau 1 precisa de cirurgia?

Nos graus 1 e 2, a fisioterapia pélvica é a primeira escolha, porque trabalha a fraqueza muscular que levou à queda. A cirurgia costuma ficar para os graus 3 e 4.

Como saber se é a bexiga, o útero ou o reto que desceu?

Só pela conversa não dá. É preciso uma avaliação física com toque, com testes simples, como a tosse, que mostram qual parede da vagina desceu e em que grau.

Vou operar. Vale fazer fisioterapia mesmo assim?

Vale. Antes, para preparar a musculatura. Depois, porque a cirurgia reposiciona o órgão, mas não fortalece o assoalho pélvico que o sustenta.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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