O assoalho pélvico trabalhou a gravidez inteira
Procure a fisioterapia pélvica no pós-parto quando perceber qualquer sinal de que o assoalho pélvico não voltou a funcionar bem, como perda de urina, sensação de região aberta ou dor, e o momento de começar é combinado conforme o seu parto e a liberação do seu médico. Mesmo sem sintoma, uma avaliação ajuda a saber como a musculatura ficou.
O assoalho pélvico é o conjunto de músculos que fica na base da pelve, como o chão de uma casa. Ele sustenta a bexiga, o útero e o intestino e ajuda você a segurar o xixi, o cocô e os gases.
Na gestação, o útero cresce muito, o corpo ganha peso, e o bebê pesa justamente sobre esse chão. São meses de carga em cima da mesma musculatura.
A chuchinha de cabelo que esgarça
O Dr. Gustavo explica com uma imagem simples: a chuchinha que você usa para prender o cabelo. Se ela fica esticada por muito tempo, perde a elasticidade e fica frouxa. O assoalho pélvico na gravidez passa por algo parecido.
Por isso o assoalho pode sofrer tanto no parto normal quanto na cesárea. O peso da gestação existe nos dois casos. No parto normal, além disso, a musculatura precisa se abrir muito para a cabeça do bebê passar. Às vezes há laceração, que é quando o tecido rasga, ou episiotomia, que é o corte feito no períneo durante o parto. Nos dois casos, fibras do músculo são afetadas e ele pode perder força.
É daí que vêm queixas que muitas mulheres contam depois de ter o bebê, como a sensação de que a região ficou mais aberta.
“Sabe aquela xuxinha de cabelo? Se você começar a esticar demais essa xuxinha, ela não perde elasticidade? É exatamente isso que acontece com o seu assoalho pélvico.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal
Perder xixi no pós-parto não é normal
Escapar urina depois do parto é comum, e por isso muita gente acha que faz parte. Não faz. Perder xixi não é normal, mesmo que seja uma gotinha ao tossir, espirrar ou pegar o bebê no colo. Existe uma perda de urina que aparece na gestação e pode parar ou continuar depois do parto. Quanto antes ela é cuidada, mais simples é o caminho.
Outros sinais que merecem avaliação:
- Sensação de região frouxa ou mais aberta
- Peso na vagina ou sensação de que algo está descendo
- Dificuldade para segurar gases ou fezes
- Cicatriz do corte ou da laceração que ainda dói ou incomoda
- Dor na relação depois do parto
Quando começar depende do seu parto
Não existe uma data igual para todas. O momento depende de como foi o parto, normal ou cesárea, de ter havido corte ou laceração, de como estão os pontos e de como você está se recuperando. A liberação do seu obstetra entra nessa conta.
A primeira consulta começa por uma conversa sobre a sua gestação e o seu parto. A avaliação de toque, que mostra como o músculo contrai e relaxa, só acontece com a sua permissão e quando a região está pronta para isso.
Se a cicatriz não fechou bem ou dói, a fisioterapia tem recursos para ajudar, como o laser de baixa intensidade, uma luz de pouca potência usada para aliviar a dor e ajudar na cicatrização. E vale saber a diferença: a cirurgia do períneo, a perineoplastia, reconstrói o tecido que rasgou. Já a perda de urina vem do enfraquecimento da musculatura como um todo, e músculo se recupera com treino.
Prevenir é melhor do que esperar o problema
O ideal é cuidar do assoalho ainda na gestação. Na preparação para o parto, o trabalho é deixar a musculatura forte para sustentar o bebê e flexível para relaxar na hora da saída, com exercícios e respiração.
Depois do parto, a regra é a mesma: você não precisa esperar perder urina para procurar ajuda. Cuidar cedo também ajuda a evitar problemas mais para frente, como a bexiga baixa, quando a bexiga desce de lugar.
E os exercícios precisam de avaliação. O assoalho é um músculo interno, então ninguém sabe se você está contraindo certo sem um toque. Feitos do jeito certo, eles viram rotina, como escovar os dentes: um pouco todo dia.
Quando procurar um fisioterapeuta pélvico
Procure avaliação se você perde urina, gases ou fezes, se sente peso ou a região mais aberta, se a cicatriz dói ou se a relação passou a doer depois do parto. Também vale procurar sem sintoma nenhum, para saber como o seu assoalho ficou e o que fazer em casa.
Não é preciso pedido médico para a consulta. Leve o que tiver do pré-natal e do parto, e combine com o seu obstetra o momento certo de começar.



