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Como é o tratamento da bexiga hiperativa?

O tratamento da bexiga hiperativa começa pela terapia comportamental, que é a mudança de hábitos com a água, a alimentação e o banheiro. Depois entram a fisioterapia pélvica, com exercícios e eletroestimulação, e, quando o médico indica, a medicação.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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Como é o tratamento da bexiga hiperativa

O tratamento começa pela mudança de hábitos. O Dr. Gustavo explica que a primeira escolha na bexiga hiperativa é a terapia comportamental. A segunda linha é a fisioterapia pélvica, com os exercícios e os aparelhos. A medicação indicada pelo médico aparece como terceira opção.

Para entender essa ordem, é preciso saber o que é o problema. A bexiga é um músculo, chamado detrusor. Ele relaxa enquanto a bexiga enche e contrai na hora de esvaziar. Na bexiga hiperativa esse músculo trabalha em excesso. A pessoa tem a sensação de bexiga cheia o tempo todo, vai ao banheiro muitas vezes e sente a urgência, aquela vontade que parece não dar tempo de chegar.

Segundo ele, o esperado é ir ao banheiro de seis a sete vezes por dia, contando a hora de acordar e a hora de dormir.

Terapia comportamental: os hábitos que formaram o problema

Na terapia comportamental, o primeiro trabalho é entender de onde veio a bexiga hiperativa e como ela começou. Em adultos sem outra doença associada, ela costuma ser construída ao longo de anos, por hábitos que parecem inofensivos.

O exemplo que o Dr. Gustavo dá é o conselho que quase todo mundo ouviu em casa: antes de sair, vai ao banheiro. Muitas vezes a pessoa nem estava com vontade. De tanto repetir, o corpo se acostuma a esvaziar sem necessidade. Ele compara com o estômago de quem passa a comer muito pouco, que vai se adaptando a receber menos. A bexiga de quem vai ao banheiro toda hora também pode perder capacidade.

Por isso a orientação é não ceder à vontade só porque ela apareceu, e segurar até uma vontade razoável. Entram ainda o jeito de beber água, em pequenas quantidades ao longo do dia, e o ajuste de alguns alimentos. Como é uma conversa sobre rotina, essa parte pode ser feita em consulta online. Por que segurar o xixi na medida certa não faz mal está explicado em outro artigo aqui do blog.

“Quem tem uma bexiga hiperativa, o tratamento de primeira escolha não é medicação. Tratamento de primeira escolha a gente chama de terapia comportamental, mudança de hábito.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

O diário miccional e o copinho de medida

Para mudar um hábito, primeiro é preciso enxergá-lo. O diário miccional é uma tabela em que você anota, por três dias, o que bebeu, a que horas foi ao banheiro e quanto xixi saiu. Para medir, o fisioterapeuta pede que você urine num copo de medida.

O Dr. Gustavo conta que as pessoas se surpreendem. Quem chega dizendo que faz muito xixi descobre que faz pouco de cada vez. É com esses números que ele orienta o que mudar. Sem o diário, o tratamento fica no palpite. Na consulta online, ele costuma pedir o diário e marcar um retorno para acompanhar as mudanças.

Exercícios, biofeedback e eletroestimulação

A segunda linha é o trabalho com o músculo. Antes dele vem a avaliação do assoalho pélvico, o conjunto de músculos que fecha a saída do xixi. É preciso saber se ele está flácido ou tenso, porque isso muda o que será feito.

A partir daí, o tratamento costuma reunir:

  • Exercícios para a bexiga e para o assoalho pélvico, que ele chama de cinesioterapia
  • Biofeedback, o aparelho que mostra numa tela como o músculo está trabalhando
  • Eletroestimulação, também chamada de neuromodulação, que pode ser aplicada no nervo tibial, perto do tornozelo, ou direto na região íntima
  • Orientações para casa, incluindo o sono

Onde entra a medicação

A medicação tem o seu papel, e quem decide sobre ela é o médico. O Dr. Gustavo explica que ela costuma aliviar os sintomas por um período. Como não mexe nos hábitos nem no músculo, os sintomas tendem a voltar quando o resto não é cuidado.

Uma dúvida comum nas lives é se existe cirurgia para bexiga hiperativa. Ele responde que não, porque a hiperatividade está no próprio músculo da bexiga. O que existe é um procedimento feito pelo médico, com aplicação na bexiga, e o efeito dele é temporário. A fisioterapia pélvica pode ser feita antes e depois de qualquer uma dessas condutas.

Estresse, sono e manutenção

O Dr. Gustavo liga a bexiga hiperativa ao excesso de estímulo. O corpo tem um sistema que nos mantém em alerta e outro que nos relaxa, e muita gente vive só no primeiro. Quanto mais relaxada, menos ansiosa e menos estressada a pessoa está, menos sintomas ela costuma sentir.

É por isso que ele incentiva o esporte, que ajuda a aliviar a tensão, sempre lembrando de não cortar a água. E avisa que a bexiga hiperativa pede manutenção. Ele compara com aquelas condições que voltam quando a imunidade baixa: se você larga os exercícios, os alongamentos e os bons hábitos, os sintomas podem reaparecer. O objetivo é manter a bexiga sob controle.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Procure avaliação se você vai ao banheiro muito mais do que seis ou sete vezes por dia, se a vontade chega de repente e é difícil de segurar, ou se já usa medicação e sente que só ela não basta. Se houver ardência ou dor ao urinar, o primeiro passo é o médico, com exame de urina e urocultura, porque os sintomas se confundem com os da infecção urinária.

Não é preciso pedido médico para marcar, e a bexiga hiperativa pode ser acompanhada em consulta presencial ou online. Informação genérica da internet pode não servir para o seu caso, e às vezes atrapalha. A avaliação individual é o que define por onde começar.

Dúvidas sobre este tema

Sinto dor embaixo do umbigo quando a bexiga está cheia. O que pode ser?

Embaixo do umbigo fica a bexiga. Quando a dor aparece sempre que ela enche, a bexiga hiperativa é uma possibilidade, assim como uma capacidade reduzida da bexiga. Dor na barriga é um sintoma genérico, e não dá para fechar diagnóstico sem avaliação.

Fiz fisioterapia para bexiga hiperativa e não melhorei. O que pode estar acontecendo?

Vale conferir o que foi feito: biofeedback, eletroestimulação, exercícios, diário miccional e ajuste de hábitos. Se tudo isso entrou e nada mudou, o caminho é voltar ao médico para rever o diagnóstico, porque pode haver outra condição, como a cistite intersticial.

Quando bebo água já preciso ir ao banheiro. Isso é normal?

Depende da quantidade. Depois de beber muito de uma vez, é esperado sentir vontade logo. Se qualquer quantidade já dá vontade, pode ser urgência miccional, comum na bexiga hiperativa. Uma dica do Dr. Gustavo é beber em pequenos goles ao longo do dia.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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