Biofeedback é um retorno do seu próprio corpo
Biofeedback é um aparelho que mostra a você e ao fisioterapeuta, em tempo real, se o seu assoalho pélvico está contraindo ou relaxando. A palavra feedback quer dizer retorno, uma informação sobre algo. Bio quer dizer vida, corpo. Juntando: o aparelho devolve uma informação sobre o seu próprio corpo.
Muita gente conhece o nome porque ele aparece no pedido médico, em frases como fisioterapia pélvica com biofeedback e eletroestimulação. São dois dos recursos que o Dr. Gustavo mais usa no consultório. Este artigo fala do primeiro. O segundo tem um artigo próprio, sobre eletroestimulação no assoalho pélvico.
Por que um músculo precisa de aparelho para ser visto
Quando você treina o braço na academia, olha no espelho e corrige o movimento. Com o assoalho pélvico isso não é possível. Ele fica dentro da pelve, ao redor da vagina e do ânus, e nem com um espelho dá para enxergar a musculatura trabalhando. A gente só consegue sentir, e muita gente nem sente.
A maioria das pessoas que chega ao consultório, homens e mulheres, não sabe movimentar esse músculo, e muitas nem sabiam que ele existia. Outras acham que estão contraindo, mas apertam a coxa, o bumbum ou a barriga, ou fazem força para baixo. O biofeedback acaba com essa dúvida, porque mostra na hora o que de fato está acontecendo.
Esse é o mesmo ponto do artigo sobre os exercícios de Kegel: o aperta e solta parece simples, mas quase ninguém faz certo sem uma referência.
“Parece básico, mas tem muita mulher que vem aqui e não sabe fazer um aperta e solta.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal
Os três tipos de biofeedback que o Dr. Gustavo usa
Existem três tipos, e a escolha depende de cada pessoa. Todos os que vão por dentro usam preservativo e bastante gel lubrificante.
- De pressão: uma sonda macia, parecida com a do ultrassom transvaginal, entra no canal vaginal ou no ânus e infla uma bolinha. Quando o músculo aperta a bolinha, uma luz sobe no aparelho
- Portátil: um aparelho em forma de antena, usado no canal vaginal. Quando a contração é boa, a antena se mexe
- Eletromiográfico: eletrodos colados na pele do períneo, a região entre a vagina e o ânus, ou entre o escroto e o ânus. Eles captam a pequena corrente elétrica que todo músculo produz ao contrair
O joguinho: treinar o músculo jogando
O biofeedback eletromiográfico pode ser ligado a um computador, e aí a contração vira comando de um jogo. Num dos vídeos do canal, uma paciente controla um aviãozinho com o assoalho pélvico: relaxando, ele desce e pega as estrelas de baixo, contraindo, ele sobe para pegar as de cima. Se ela segura a respiração ou perde o ritmo, o avião bate no morro.
Parece brincadeira, e é de propósito. O joguinho deixa a sessão mais leve, ajuda a quebrar a vergonha de falar de uma região tão íntima e ensina duas coisas ao mesmo tempo: contrair quando precisa e relaxar quando precisa. Isso vale para quem perde urina e também para quem tem vaginismo, dor na relação ou dor pélvica, em que o músculo não consegue soltar.
Medir a contração para acompanhar a evolução
Alguns aparelhos mostram números. O Dr. Gustavo faz uma ressalva honesta: não é exatamente uma medida de força, que exige outro cálculo, mas é uma referência para comparar você com você mesma ao longo do tratamento.
Essa comparação tem duas funções. A primeira é mostrar se você entendeu o exercício. A segunda é mostrar se está treinando em casa. Ele costuma dizer, brincando, que não dá para mentir para o aparelho. E ele não serve só para força: também ajuda a ver resistência, ou seja, quanto tempo você sustenta a contração, coordenação e a capacidade de relaxar depois.
O biofeedback não é usado só no início. Ele acompanha o tratamento e mostra quando algo precisa ser corrigido. Se a contração não aparece como deveria, o fisioterapeuta ajusta o exercício na hora, em vez de você passar semanas treinando do jeito errado em casa.
Quando procurar um fisioterapeuta pélvico
Se você perde urina, tem intestino preso, sente dor na relação ou não sabe se contrai o músculo do jeito certo, um fisioterapeuta pélvico pode avaliar e decidir se o biofeedback faz sentido para você. Não precisa de pedido médico.
Na primeira consulta com o Dr. Gustavo, a conversa vem antes de tudo. O toque e o uso de qualquer sonda só acontecem com a sua permissão e podem ficar para outro dia. Para quem nunca teve penetração ou tem vaginismo, existe o biofeedback com eletrodos na pele, sem nada por dentro.



