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Cicatriz de episiotomia dolorida: o que a fisioterapia pode fazer

A fisioterapia pélvica pode avaliar a cicatriz e trabalhar o tecido e a musculatura ao redor, com técnicas manuais e recursos como o laser de baixa intensidade. Cicatriz que segue doendo não é algo para aceitar como parte do parto.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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A cicatriz dói. E agora?

A fisioterapia pélvica pode avaliar a sua cicatriz e cuidar do tecido e dos músculos ao redor dela, para que a região volte a ter movimento e incomode menos. Se a cicatriz da episiotomia dói ao sentar, ao se limpar, ao toque ou na relação, isso merece atenção, mesmo que o parto tenha sido há algum tempo.

Episiotomia é o corte feito no períneo durante o parto normal, para ampliar a passagem do bebê. O períneo é a região entre a vagina e o ânus. Em alguns partos, em vez do corte, acontece uma laceração, que é quando o próprio tecido rasga com a passagem da cabeça do bebê. Nos dois casos, o médico costura a região, e o corpo começa o trabalho de cicatrizar.

Este texto não é sobre se a episiotomia deveria ou não ter sido feita. Essa é uma decisão tomada na hora do parto. O assunto aqui é o que fazer quando a cicatriz que ficou continua incomodando.

Por que uma cicatriz pode doer

Para fechar um corte, o corpo deposita colágeno e forma um tecido de cicatriz, que os profissionais chamam de fibrose. Esse tecido une o que foi separado, mas costuma ser mais duro e menos elástico do que o original. O Dr. Gustavo explica que a região fica mais rígida e hipomóvel, palavra técnica para dizer que ela se mexe menos do que deveria.

E o períneo foi feito para se mexer. Ele faz parte do assoalho pélvico, o conjunto de músculos que forma o chão da pelve e que precisa contrair, relaxar e se esticar no dia a dia e na relação. Quando um pedaço desse chão fica duro, ele puxa, repuxa e pode doer.

Também acontece de a cicatriz não fechar direito. Como ele conta, às vezes a região não cicatriza bem, fica aberta, e os pontos soltos doem. Em volta da cicatriz, os músculos podem ficar tensos, como uma forma de proteger a área que dói.

  • Dor ou ardência ao sentar por mais tempo
  • Repuxar ou incomodar ao se limpar ou ao toque
  • Dor na entrada da vagina durante a relação
  • Sensação de ponto duro, caroço ou região que não fechou bem
“Nenhum aparelho funciona pra nada sozinho, os aparelhos são recursos, são ferramentas que o profissional vai saber indicar na melhor situação, na melhor época.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

Como a fisioterapia pélvica trabalha a cicatriz

Tudo começa por uma conversa sobre o seu parto, o que você sente e quando sente. A avaliação de toque, que mostra como estão a cicatriz e os músculos ao redor, só acontece com a sua permissão. Se você não estiver pronta, ela pode ficar para outro dia.

Com a avaliação feita, o fisioterapeuta escolhe as técnicas para o seu caso. Algumas que fazem parte do trabalho com dor no períneo:

  • Massagem perineal, feita na entrada da vagina para devolver flexibilidade a uma região rígida
  • Liberação miofascial, uma técnica manual que solta pontos de tensão no músculo e no tecido ao redor
  • Respiração e mobilidade do quadril, para o corpo deixar de travar a região
  • Exercícios para o assoalho pélvico, quando a avaliação mostrar que é a hora certa

O laser de baixa intensidade como recurso

Um dos recursos que pode entrar no tratamento é o laser de baixa intensidade. É uma luz de pouca potência, aplicada encostada na pele, sobre a região que dói. Nos vídeos, o Dr. Gustavo mostra o aparelho e explica que ele é usado para aliviar a dor e ajudar na cicatrização, e cita justamente a cicatriz da episiotomia como um dos casos em que costuma usá-lo.

Vale não confundir. O laser de baixa intensidade não é o laser íntimo de alta potência que aparece em anúncio de clínica. São aparelhos diferentes, com objetivos diferentes, e o assunto do laser íntimo está explicado no artigo Laser íntimo trata incontinência urinária?.

E vale lembrar a regra que ele repete: aparelho nenhum faz o trabalho sozinho. O laser é uma ferramenta dentro de um tratamento, escolhida depois da avaliação e combinada com o trabalho manual e com o que você faz em casa.

Por que não começar pelo aperta e solta

Muita mulher ouve que basta fazer o exercício de aperta e solta para resolver qualquer coisa lá embaixo. Quando há dor, isso pode piorar o quadro. O aperta e solta é um exercício de força, e um músculo que já está tenso em volta de uma cicatriz dolorida precisa primeiro aprender a relaxar.

Fisioterapia pélvica não é aperta e solta. O fortalecimento pode ter o seu momento, mas vem depois de soltar o que está rígido. Se você começou algum exercício por conta própria e a dor aumentou, pare e procure orientação.

Se, na avaliação, a cicatriz estiver aberta ou o músculo não tiver se unido, o fisioterapeuta orienta você a conversar com o seu médico. Avaliar uma correção cirúrgica é papel dele, e médico e fisioterapeuta trabalham juntos.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Procure avaliação se a cicatriz dói, repuxa, parece não ter fechado bem ou se a relação passou a doer depois do parto. Também vale procurar se você evita sentar de certo jeito ou se limpar com calma por causa do incômodo.

Você não precisa de pedido médico para a consulta. Se o parto foi recente, combine com o seu obstetra o momento de começar. E, se a dor apareceu na relação, o artigo Dor na relação depois do parto: é normal? fala mais sobre isso.

Dúvidas sobre este tema

O laser de baixa intensidade é o mesmo laser íntimo?

Não. O laser de baixa intensidade é uma luz de pouca potência, usada na fisioterapia para aliviar a dor e ajudar na cicatrização. O laser íntimo é outro aparelho, de alta potência, com outra finalidade.

Posso massagear a cicatriz sozinha em casa?

O ideal é aprender depois de uma avaliação. A região é sensível, e o fisioterapeuta mostra a força, o lugar e o momento certos para o seu caso. Se algo que você fizer em casa aumentar a dor, pare e procure orientação.

Meu parto foi há anos e a cicatriz ainda incomoda. Vale avaliar?

Vale. A avaliação mostra como estão hoje a cicatriz e os músculos ao redor, e a partir disso o fisioterapeuta explica o que pode ser trabalhado no seu caso.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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