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Dor na bexiga e vontade de urinar toda hora: pode ser cistite intersticial?

Pode ser, mas a cistite intersticial é um diagnóstico de exclusão: o médico só chega a ele depois de descartar outras causas com exames. Na maioria das vezes, a dor na bexiga com idas seguidas ao banheiro aparece junto com uma bexiga hiperativa, e é nessa parte que a fisioterapia pélvica trabalha.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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Pode ser cistite intersticial?

Pode ser, mas esse costuma ser o último nome da lista. A cistite intersticial é o que se chama de diagnóstico de exclusão: para chegar a ela, o médico precisa antes descartar várias outras causas. O Dr. Gustavo explica que, nas dores de bexiga que ele acompanha, o mais comum é existir por trás uma bexiga hiperativa.

Antes de qualquer nome, vale guardar uma ideia. Sentir dor na bexiga não é normal. Ir ao banheiro toda hora e ter que correr para não vazar também não é. Os dois sinais pedem investigação, e não paciência para conviver com eles.

Três nomes parecidos para coisas diferentes

Esses três termos aparecem misturados em exames, consultas e buscas na internet. O Dr. Gustavo separa assim:

  • Bexiga hiperativa: a bexiga avisa antes da hora. A vontade vem forte e de repente, o que se chama de urgência miccional, e a pessoa vai ao banheiro muitas vezes. Pode ou não vir com dor.
  • Síndrome da bexiga dolorosa: é um nome genérico para a bexiga que dói. Pode ter várias causas diferentes, mas normalmente está associada a uma bexiga hiperativa.
  • Cistite intersticial: é uma das causas possíveis da bexiga dolorosa. É uma condição complexa, difícil de diagnosticar e de tratar, e por isso só entra em cena depois que as outras hipóteses foram afastadas.
“Você nunca pode sentir dor de nenhuma espécie: nem dor em pontada, nem dor de enchimento, nem dor ao esvaziar, nem dor na hora que está saindo xixi, nem queimação.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

Por que o diagnóstico demora

Numa das lives, uma espectadora contou que tinha cistite intersticial. A primeira reação do Dr. Gustavo foi perguntar quais exames ela já tinha feito. Segundo ele, existem várias coisas que mascaram uma cistite intersticial, e quem nunca passou por essa investigação não pode afirmar que tem a condição.

Quem decide quais exames pedir é o médico. Entre os que o Dr. Gustavo cita estão a urodinâmica, que mostra como a bexiga se comporta enquanto enche e esvazia, a cistoscopia, em que o médico olha a bexiga por dentro com uma pequena câmera, a biópsia da bexiga e os testes para descartar infecções menos comuns.

Se o seu médico ainda está nessa fase de descartar hipóteses, isso faz parte do caminho. É o processo esperado para um diagnóstico que só se fecha por eliminação.

A dor que aparece quando a bexiga enche

Embaixo do umbigo fica a bexiga. Se a dor aparece ali toda vez que ela está cheia, o Dr. Gustavo pensa primeiro em bexiga hiperativa. Ele deixa claro que não fecha diagnóstico por mensagem, porque isso exige avaliar a pessoa, mas levanta também uma segunda hipótese: a bexiga pode estar com a capacidade reduzida.

Ele compara a bexiga com a caixa d'água da casa, que existe para armazenar. Quem passa anos indo ao banheiro a cada pequena vontade usa só um pedaço dessa caixa. E aí vem a segunda comparação dele, com o estômago: quem entra numa dieta muito restrita e passa a comer pouquinho acaba com o estômago menor. Com a bexiga acontece algo parecido. De tanto ser esvaziada antes da hora, ela desaprende a guardar, e passa a incomodar com pouco volume.

Por isso, um dos caminhos do tratamento é reaprender a segurar o xixi aos poucos, sem ceder a cada chamado. Quanto mais a pessoa obedece a uma bexiga agitada, mais agitada ela fica. Só que isso se faz com orientação, porque depende de saber usar a musculatura certa e de entender o que a sua bexiga aguenta hoje.

O que a fisioterapia pélvica faz, e o que não faz

Na bexiga hiperativa e na bexiga dolorosa associada a ela, o trabalho passa por várias frentes. A primeira é o diário miccional. Por alguns dias, você anota o que bebe e faz xixi num copo de medida, para registrar quantas vezes vai ao banheiro e quanto sai de cada vez. O Dr. Gustavo conta que muita gente se surpreende, porque jura que faz muito xixi e descobre que sai pouco.

A partir desse retrato vem a terapia comportamental: como e quando beber água, o que ajustar na alimentação, o sono, o intervalo entre as idas ao banheiro. Somam-se os exercícios do assoalho pélvico, que é o conjunto de músculos que fecha a saída do xixi, e, quando indicado, recursos como o biofeedback e a eletroestimulação. Ele compara esse cuidado com o do diabetes: o controle depende de mudar hábitos e manter a mudança, e não só da medicação indicada pelo médico.

Na cistite intersticial, a conversa é outra, e o Dr. Gustavo é franco. Ele diz que essa é uma das poucas condições em que a fisioterapia às vezes não tem muita eficácia. O que ela pode fazer é ajudar a minimizar o desconforto, com o diário, os hábitos e os exercícios orientados, sempre ao lado do acompanhamento médico. O tratamento da condição em si é decisão do médico.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Procure uma avaliação se você sente dor quando a bexiga enche, vai ao banheiro muito mais do que as pessoas à sua volta, precisa correr para não vazar ou já recebeu o diagnóstico de bexiga hiperativa ou de bexiga dolorosa. Se tiver exames, como ultrassom ou urodinâmica, leve. Se não tiver, a avaliação pode começar sem eles, e não é preciso pedido médico.

A bexiga hiperativa é uma das queixas que o Dr. Gustavo também acompanha em consulta online, já que boa parte do trabalho é de orientação e de hábitos. Em qualquer formato, ele repete a mesma coisa: cada caso é um caso, e o plano só faz sentido depois de entender a sua rotina e o seu histórico.

Dúvidas sobre este tema

Fiz fisioterapia para bexiga hiperativa e não melhorei. O que pode estar acontecendo?

O Dr. Gustavo pergunta primeiro o que foi feito: se houve diário miccional, exercícios em casa, ajuste de alimentação e de água, além dos recursos do consultório. Se tudo isso foi feito e nada mudou, vale voltar ao médico para rever o diagnóstico, porque pode existir outra condição por trás.

Bexiga hiperativa pode melhorar com esporte?

Segundo o Dr. Gustavo, o esporte sozinho não trata, mas pode ajudar, porque relaxa, faz bem para a cabeça e movimenta o corpo, e a bexiga hiperativa costuma responder melhor quando a pessoa está mais relaxada. Ele só pede que você não deixe de beber água por causa do treino.

Quais exercícios posso fazer em casa para a bexiga hiperativa?

Não existe um exercício que sirva para todo mundo. O Dr. Gustavo explica que precisa entender o seu caso, a sua rotina e, se houver, o resultado da urodinâmica, para saber como a bexiga e a musculatura se comportam. Exercício copiado da internet pode não servir para você.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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