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Como é feito o exame de urodinâmica

A urodinâmica é um exame que estuda como a sua bexiga enche e esvazia: primeiro você faz xixi numa cadeira com sensor, depois a bexiga é enchida com soro por uma sonda fina enquanto um computador registra tudo. É um exame sem anestesia, em geral bem tolerado, e você sai dele para a vida normal.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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Para que serve a urodinâmica

O exame de urodinâmica é feito em etapas: você urina numa cadeira com sensor, depois recebe sondas finas e tem a bexiga enchida com soro enquanto um computador registra como ela se comporta. Exame urodinâmico, estudo urodinâmico e urodinâmica são nomes diferentes para a mesma coisa.

A bexiga, de um jeito bem simples, faz duas coisas ao longo da vida inteira: enche e esvazia. Existem problemas que aparecem na fase de encher e problemas que aparecem na fase de esvaziar. A urodinâmica observa as duas, por isso é tão específica para a bexiga.

Ela costuma ser pedida para quem tem perda de urina, vontade urgente e frequente de ir ao banheiro, acorda várias vezes à noite para urinar, sente ardência para fazer xixi ou tem problemas de próstata. Na bexiga hiperativa, em especial, é o exame que ajuda a fechar o diagnóstico.

O Dr. Gustavo conhece esse exame por dentro. Durante os anos no Instituto de Urologia Santa Rita, ele trabalhou no setor onde a urodinâmica era feita e atuou como examinador. Ele não é médico, e quem conduz o exame costuma ser um médico com a ajuda de uma enfermeira. A ideia aqui é explicar, em linguagem simples, o que você vai encontrar na sala.

Como se preparar para o exame

A preparação é simples, e a parte mais importante é chegar sabendo o que vai acontecer. Muita gente sofre mais com a imaginação do que com o exame.

Alguns lugares pedem que você tome um antibiótico antes, como prevenção, porque o exame tem um risco de infecção urinária depois. Não são todos os serviços que fazem isso. Essa decisão é do seu médico, então siga a orientação que ele der.

No dia, a equipe confere seus dados e pede que você beba bastante água. Parece o ultrassom, mas com uma diferença: aqui a bexiga cheia não é para ser vista, é para você conseguir fazer xixi na primeira etapa.

  • Tomar o antibiótico só se o médico pedir
  • Beber bastante água quando a equipe orientar
  • Ir com roupa fácil de tirar da cintura para baixo
  • Contar à equipe se você tem dificuldade de segurar o xixi
“O exame é um pouquinho chatinho, mas se a gente pede, é porque é realmente necessário.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

O passo a passo do exame

A sala é pequena e não precisa ser um centro cirúrgico. O exame pode ser feito em hospital, clínica ou consultório, porque você não recebe anestesia.

A primeira etapa se chama urofluxometria. Você faz xixi numa cadeira parecida com um vaso, que tem um funil e um sensor embaixo. Esse sensor mede a força, o jato e o volume do seu xixi. Mulheres costumam fazer sentadas e homens em pé, mas homem pode fazer sentado sem problema nenhum. Alguns médicos pedem só essa parte.

A segunda etapa é a que mais assusta. Você deita com as pernas apoiadas e abertas, na chamada posição de litotomia, a mesma para homens e mulheres. A equipe passa uma sonda fina pela uretra, o canal por onde sai o xixi, e outra pelo ânus. Elas ficam ligadas à máquina.

Então a bexiga começa a ser enchida devagar com soro fisiológico, e você vai contando como está a vontade: pouca, média, forte, se ainda consegue segurar. Às vezes a equipe pede que você tussa algumas vezes. Essa fase se chama cistometria. Se escapar xixi, tudo bem, há um pano grande embaixo justamente para isso, e quem tem perda forte de urina passa por isso com frequência.

Por fim vem o estudo fluxo-pressão: você volta à cadeira e faz xixi com as sondas ainda no lugar, enquanto a máquina registra a pressão e o fluxo ao mesmo tempo. Quando não há complicação, o exame inteiro costuma levar por volta de meia hora.

O exame dói?

Na maioria das vezes, não. O exame é bem tolerado, e quando termina você vai para casa e segue a vida normal.

Pode ficar dolorido em alguns casos, principalmente na passagem das sondas. Isso é mais comum em homens com problemas de próstata ou com estreitamento da uretra, que os médicos chamam de estenose, e em mulheres com bexiga, vagina ou reto caídos, o que se chama prolapso.

O que mais incomoda não costuma ser a dor, é o constrangimento. Fazer xixi deitado ou sentado com sondas, na frente de alguém que você mal conhece, trava muita gente. E isso tem consequência: quando a pessoa trava, a etapa mais importante pode sair alterada. Por isso vale respirar, conversar com a equipe e lembrar que, para quem está ali, essa é uma situação de todo dia.

Se o seu médico pediu, faça

A urodinâmica é um exame invasivo, e ninguém pede um exame assim sem motivo. Se ele foi indicado, é porque o resultado vai mudar a forma de cuidar de você.

Para quem tem sintomas de bexiga hiperativa ou perda de urina, o exame mostra o que está acontecendo de verdade na hora de encher e de esvaziar. Com essa informação, o tratamento deixa de ser no escuro. Às vezes o paciente chega ao consultório do Dr. Gustavo sem o exame, e ele orienta que seja feito antes de seguir.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Se você vai ao banheiro muitas vezes por dia, acorda à noite para urinar, sente uma vontade que chega de repente ou perde urina, vale procurar um fisioterapeuta pélvico, com ou sem o exame em mãos.

Na primeira consulta ele conversa sobre a sua rotina e os seus sintomas, olha os exames que você já tem e explica quais caminhos fazem sentido no seu caso. Você não precisa de pedido médico para marcar.

Dúvidas sobre este tema

Precisa de anestesia para fazer urodinâmica?

Não. O exame é feito acordado, sem anestesia, e por isso pode ser feito em clínica ou consultório. Quando acaba, você vai embora e segue o dia normalmente.

Tenho que tomar antibiótico antes da urodinâmica?

Depende do lugar e do seu médico. Alguns serviços pedem antibiótico antes, como prevenção de infecção urinária, e outros não. Siga a orientação de quem pediu o exame.

E se eu fizer xixi sem querer durante o exame?

Está tudo bem. A equipe coloca um pano grande embaixo justamente por isso, e muitas pessoas com perda de urina não conseguem segurar enquanto a bexiga é enchida. Isso também é informação para o exame.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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