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Como o parceiro pode ajudar no vaginismo?

O parceiro ajuda indo devagar, ganhando a confiança dela, tocando com leveza e tirando a cobrança de cima da penetração. O Dr. Gustavo trata o vaginismo como um tema do casal e costuma chamar o parceiro para participar da consulta.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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Como o parceiro pode ajudar no vaginismo?

O parceiro ajuda quando vai devagar, ganha a confiança dela e tira a pressa de cena. Essa é a resposta que o Dr. Gustavo deu a um rapaz que contou, numa live, que a namorada tinha vaginismo: fazer tudo com calma, sem cobrança, e, se possível, ir junto à consulta.

Vaginismo é a contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico, o conjunto de músculos que forma o chão da pelve. Na hora da penetração, a entrada da vagina se fecha, e a mulher não manda nisso. O que é o vaginismo e como ele é tratado já está explicado em outro texto deste blog. Aqui o assunto é o lugar de quem está ao lado dela.

Ela quer, e o corpo fecha

A primeira ajuda é entender o que está acontecendo. O Dr. Gustavo repete isso nas lives porque é o ponto que mais confunde os casais: a mulher com vaginismo, muitas vezes, está com vontade, está lubrificada, quer a relação, e na hora o corpo não deixa. Ele ouve com frequência no consultório a mesma frase: eu estou com vontade, eu quero, mas chega na hora e eu não consigo.

Por isso, não leve para o lado pessoal. Não é rejeição nem desinteresse por você. É um músculo que se fecha por conta própria, quase sempre junto com o medo de sentir dor. E como é involuntário, a culpa também não é dela. Quando o parceiro entende isso, sai de cena uma boa parte da tensão que os dois carregam para a cama.

“Eu peço pro maridão vir junto, pro namorado vir junto, porque é uma parceria. Você não está sozinha nesse processo.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

Devagar e com mão leve

A orientação prática dele é simples de dizer e exige paciência para fazer. Antes de pensar em penetração, pense no toque. E o toque, na região íntima de quem tem vaginismo, precisa ser muito suave. O Dr. Gustavo usa duas imagens para isso: mão de pena, mão de pluma.

Uma mão pesada e apressada confirma para o corpo dela aquilo que ele já teme, e a musculatura fecha ainda mais. O toque leve faz o caminho contrário. Aos poucos, o corpo entende que aquele contato é seguro, e é assim que ela vai ganhando confiança.

  • Vá devagar, no tempo dela, e não no tempo que você gostaria.
  • Comece pelo toque leve, sem pressa de chegar a lugar nenhum.
  • Pergunte como está sendo para ela e pare quando ela pedir.
  • Não trate cada encontro como uma prova que precisa ser vencida.

Conversar tira o peso dos dois

Para a mulher, o conselho dele é falar: expor os medos e os receios e pedir a ajuda do parceiro, em vez de imaginar que ele já sabe o que fazer. E aqui o Dr. Gustavo fala também como homem. Ele conta que, nas próprias primeiras experiências, sabia na teoria como tudo funcionava e na prática ficava inseguro. O homem não tem a obrigação de saber o que fazer.

Se os dois têm pouca experiência, a saída é buscar juntos, se descobrindo. Ele chama a relação de brincadeira de adulto, e a comparação ajuda: brincadeira não tem meta, não precisa chegar a um fim específico e tem que ser gostosa para quem participa. Quando a penetração deixa de ser a única medida de que deu certo, o casal volta a ter intimidade sem a sensação de fracasso no final.

O que continua sendo com ela

Ajudar não é assumir tudo. O Dr. Gustavo pede que a mulher não coloque o processo inteiro na conta do parceiro, como se ele tivesse que fazer tudo. Conhecer o próprio corpo e se tocar faz parte do caminho, e isso é dela. Ao parceiro cabe respeitar esse espaço, sem cobrar relatório nem prazo.

Outro ponto que ele destaca é a respiração, que considera uma das principais travas do vaginismo. E ele lembra que o trabalho não acaba quando o canal está livre. Nas palavras dele, a mulher não é só um canal: a relação precisa ser prazerosa para ela. É por isso que ele insiste na percepção das sensações do corpo, e não apenas em conseguir a penetração. Para o parceiro, a tradução é direta: o objetivo dos dois é que ela se sinta bem.

O parceiro na consulta

O Dr. Gustavo costuma pedir que o marido ou o namorado venha junto. O raciocínio dele é que ninguém tem uma relação a dois sozinha, então o cuidado também não precisa ser solitário. Em outra live, respondendo a uma mulher recém-casada cujo marido a apoiava, ele disse que o casal é uma parceria e que, se ela está com um problema, o problema é dos dois.

Em alguns casos é ele quem pede: na próxima consulta, quer o parceiro presente. Ali o parceiro entende a condição, tira as próprias dúvidas e aprende, na prática, o que fazer e o que evitar em casa. Muitas vezes o homem quer ajudar e não sabe como, ou insiste em algo que atrapalha sem perceber.

Ele também fala do receio que alguns homens têm de um profissional avaliar a parceira. A resposta dele é que se trata de saúde, como numa consulta ginecológica, e que tudo é feito de forma profissional, com a permissão dela.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Se a penetração não acontece ou dói, e isso já traz angústia e medo para ela ou para o casal, vale procurar um fisioterapeuta pélvico. Não é preciso pedido médico. A decisão de marcar é dela, e o melhor que o parceiro pode fazer é apoiar e se colocar à disposição para ir junto, se ela quiser.

A consulta começa pela conversa. O toque só acontece quando ela se sente segura e autoriza.

Dúvidas sobre este tema

Quantas tentativas de penetração são necessárias para saber se é vaginismo?

Não existe um número. Nas primeiras vezes é natural ficar nervosa e levar um tempo para as coisas se encaixarem. Se vocês já tentaram algumas vezes, não está fluindo e isso causa angústia ou medo, o Dr. Gustavo orienta procurar ajuda.

Ela nunca conseguiu colocar nem o próprio dedo. Dá para começar alguma coisa em casa?

Isso é comum em quem tem vaginismo. O Dr. Gustavo sugere começar por se olhar no espelho e aceitar o próprio corpo, sem achar a região feia ou suja. Uma bolsa de água quente anatômica, daquelas em que a pessoa senta em cima, ajuda a relaxar a musculatura. A respiração funciona melhor com acompanhamento.

Vaginismo pode ser tratado por consulta online?

Pode ser trabalhado online, com orientação por vídeo de respiração, mobilidade da pelve e alongamento para praticar em casa. O presencial tem a vantagem do toque, que ajuda o corpo a entender que o contato é seguro. Cada caso é avaliado individualmente.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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