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Cone vaginal: para que serve e quando usar

O cone vaginal serve como um peso extra para o treino dos músculos do assoalho pélvico, e ele entra depois que você já aprendeu a contrair do jeito certo. Usado antes disso, sem orientação, ele costuma cair, frustrar e até reforçar a força para o lado errado.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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Para que serve o cone vaginal

O cone vaginal serve para dar carga ao treino do assoalho pélvico, como um peso de academia, e ele só faz sentido quando a musculatura já sabe trabalhar. É um recurso de fortalecimento, usado dentro de um tratamento, e não o ponto de partida.

O assoalho pélvico é o conjunto de músculos que fica na base da pelve, como o chão de uma casa. Ele sustenta a bexiga, o útero e o intestino e ajuda a segurar o xixi, os gases e o cocô. Como qualquer músculo, ele pode ser treinado, e o cone é uma das ferramentas desse treino.

Na prática, são pequenas peças em formato de cone, com um fiozinho na ponta, em vários pesos e tamanhos. O cone é colocado no canal vaginal e o músculo trabalha para mantê-lo no lugar. Muita gente conhece pela internet, e o Dr. Gustavo conta que quase todas as pacientes que chegam ao consultório já têm um em casa. Muitas compraram e nunca conseguiram usar.

O supino de 20 quilos no primeiro dia

Para explicar por que o cone não funciona como primeiro passo, o Dr. Gustavo usa uma comparação simples. Imagine uma pessoa que nunca fez exercício na vida chegando à academia e indo direto para o supino com 20 quilos de cada lado. Ela vai conseguir? Provavelmente não.

O cone é exatamente isso, um peso extra. Ele foi pensado para quem já passou por um bom treinamento muscular e precisa de mais desafio. Colocar esse peso num músculo que ainda não sabe contrair, ou que contrai com pouca força, é pular etapas. O resultado mais comum é a pessoa desistir achando que o problema é com ela.

Se o cone cai, não quer dizer que você está flácida

Quando o cone escorrega e sai, a primeira conclusão costuma ser: estou muito flácida. Pode ser, porque a flacidez da musculatura é algo que o Dr. Gustavo atende com frequência. Mas muitas vezes o cone cai por outros motivos. Às vezes você não está fazendo a contração correta. Às vezes ainda não tem força suficiente para aquele peso. E às vezes, sem perceber, está fazendo força para fora, empurrando, como quem faz força para evacuar.

Esse último ponto merece atenção. Se o movimento que você aprendeu sozinha é empurrar em vez de puxar para dentro e para cima, repetir isso com um peso dentro do canal vaginal reforça justamente o gesto errado. Por isso a pergunta não é só se o cone fica, mas como o seu músculo está trabalhando para segurá-lo. Se você quer entender melhor a flacidez, há um artigo só sobre ela aqui no blog.

Antes do cone, aprender a contrair

O assoalho pélvico é um músculo interno. Você não vê o que ele está fazendo, e a sensação de que está contraindo nem sempre corresponde ao que acontece de verdade. Muita gente aperta o bumbum, a coxa ou a barriga achando que está trabalhando a região certa.

Por isso o caminho começa por uma avaliação. No toque, ou num aparelho de biofeedback, que mostra a contração num gráfico, o fisioterapeuta pélvico confere se o músculo certo está sendo usado e como estão a força, a resistência e a coordenação. Fisioterapia pélvica não é aperta e solta, e o artigo sobre exercícios de Kegel explica essas qualidades com mais calma.

Existe ainda um cuidado importante. Em quem tem o músculo tenso demais, como no vaginismo ou na dor na relação, exercícios de contração com carga não são indicados. Músculo tenso não é músculo forte. Nesses casos o trabalho começa pelo relaxamento, e o cone não entra no começo do plano.

Quando o cone entra no tratamento

Depois que você aprende a contrair e relaxar do jeito certo e a musculatura ganha condição, o cone pode virar um bom aliado. É aí que ele cumpre o papel de peso extra, para continuar o fortalecimento.

O Dr. Gustavo cita, por exemplo, exercícios de explosão muscular no fim do treino, inclusive com saltos usando o cone, pensados para quem já está bem treinada, como atletas. Qual cone usar, em que momento e com que exercício depende da sua avaliação. Por isso este artigo não traz uma rotina para copiar: o uso certo é o que o fisioterapeuta define para você.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Se você comprou um cone e não conseguiu usar, se ele sempre cai, se você não sabe se está contraindo certo ou se tem perda de xixi, sensação de peso na região ou dor, vale fazer uma avaliação antes de seguir tentando sozinha. Não é preciso pedido médico para começar.

No consultório do Dr. Gustavo, a primeira consulta é uma conversa. O toque só acontece com a sua permissão e pode ficar para outro dia. Se fizer sentido no seu caso, o cone que está guardado em casa pode entrar no tratamento na hora certa.

Dúvidas sobre este tema

Posso comprar um cone vaginal e usar sozinha em casa?

O mais seguro é passar antes por uma avaliação. O cone é um peso extra, e sem saber contrair o músculo certo ele costuma cair ou ser segurado com a força para o lado errado. Com orientação, ele pode entrar no treino de casa na fase certa.

O cone vaginal ajuda na incontinência urinária?

Ele pode fazer parte do fortalecimento do assoalho pélvico, que é o músculo que ajuda a segurar o xixi. Mas é um recurso dentro do tratamento, usado depois que a contração correta foi aprendida, e não um tratamento por conta própria.

Quem tem dor na relação ou vaginismo pode usar cone?

Em geral, não no começo. Quando o músculo está tenso, contrair com carga tende a aumentar a tensão. Primeiro vem o trabalho de relaxamento, e só a avaliação diz se e quando o fortalecimento entra.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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