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Dilatador vaginal: por que não começar sozinha

Começar sozinha com o dilatador vaginal costuma não ser o melhor caminho, porque ele é um recurso usado mais no fim do tratamento e, forçado contra um músculo tenso, pode machucar e aumentar a dor. Antes dele vêm o acolhimento, a respiração, o relaxamento e o trabalho com a musculatura.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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Dá para tratar a dor só com o dilatador?

Começar sozinha com o dilatador não é o caminho mais seguro, porque ele é um recurso do fim do tratamento, e usado à força pode machucar e aumentar a dor. Se você comprou um kit e não conseguiu avançar, saiba que isso é muito comum e não é falha sua.

O dilatador virou quase uma febre. Muita gente acredita que basta comprar o kit para que a dor na relação ou o vaginismo se resolvam. Não é assim que funciona, explica o Dr. Gustavo. Quem já tentou sabe que não é tão simples, e insistir a todo custo pode até piorar o quadro.

Este texto não é um manual de uso. A ideia é você entender o lugar do dilatador no cuidado com o seu corpo, para não se cobrar nem se machucar.

O que é o dilatador e por que ele aparece no vaginismo

O dilatador vaginal é um conjunto de peças de tamanhos diferentes, do menor para o maior, geralmente vendido em kit. Dentro da fisioterapia pélvica, ele ajuda o canal vaginal a se acostumar a se alongar.

No vaginismo, os músculos do assoalho pélvico, que ficam na base da pelve, se contraem sem querer e fecham a entrada da vagina. Não é frescura nem falta de vontade. É o corpo se protegendo. Muitas vezes essa reação vem acompanhada de medo, insegurança ou de alguma experiência difícil, e o corpo sente tudo isso.

Por isso o dilatador sozinho não dá conta. Ele lida com o tamanho da passagem, mas não com a tensão do músculo nem com o medo que faz o músculo fechar.

“O dilatador é um recurso que se usa dentro de uma terapia. Eu vou usar o dilatador lá mais para o final do meu trabalho, no final do tratamento.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

Por que forçar machuca

Quando a musculatura está rígida, empurrar o dilatador é empurrar contra uma porta que está trancada por dentro. Em vez de tratar, você pode se machucar e se traumatizar. E tem um efeito que pesa ainda mais: quando o medo cresce, só de pensar na penetração a musculatura já fecha.

Pelo mesmo motivo, o famoso aperta e solta não é indicado para quem sente dor na relação. Esses são exercícios de força, e músculo tenso não é músculo forte. Contrair um músculo que já está contraído aumenta a tensão e pode piorar o quadro.

O que vem antes do dilatador

O Dr. Gustavo conta que, na maioria dos casos, nem chega a usar o dilatador, e quando usa é mais para o final do tratamento. Antes disso existe um caminho, sempre no seu ritmo:

Relaxar e respirar vêm primeiro por um motivo simples. No dia a dia corrido, muita gente respira curto, só com o peito, e o corpo fica em alerta. Quando a respiração desacelera, o corpo entende que está seguro, e um músculo que se sente seguro não precisa fechar. É sobre essa base que o resto do trabalho é construído.

  • Conversa e acolhimento, para entender a sua história, sem julgamento.
  • Conhecer o próprio corpo, com a ajuda de modelos anatômicos que mostram onde fica cada músculo.
  • Respiração, porque relaxar começa por respirar com calma.
  • Mobilidade da pelve, movimentos do quadril que ajudam a soltar a região.
  • Liberação miofascial e massagem perineal, técnicas manuais feitas pelo fisioterapeuta para soltar a tensão do músculo e da fáscia, a capa fina que envolve o músculo.
  • Só então, quando o músculo está mais relaxado, o dilatador pode entrar como mais um recurso.

Se você já comprou ou já chegou no último

Se o kit está guardado na gaveta porque doeu, está tudo bem. Ele pode ser útil mais adiante, com orientação. Não jogue a culpa em você.

E se você chegou ao maior dilatador e ainda sente dor, isso mostra que o problema não era só o tamanho da passagem. Fisioterapia pélvica não é o uso do dilatador. Chegar ao último não quer dizer que algo foi tratado, e também não existe um tamanho que você seja obrigada a alcançar. O que importa é a sua região íntima funcionar bem e sem dor.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Se você sente dor na relação, não consegue a penetração, tentou o dilatador e doeu, ou simplesmente tem medo de tentar, vale procurar um fisioterapeuta pélvico. Dor na relação não é normal e não precisa ser enfrentada sozinha. Não é preciso pedido médico.

A primeira consulta é principalmente conversa. O toque só acontece com a sua permissão, com termo de consentimento, e pode ficar para outro dia. Se você se sentir mais segura, seu parceiro pode acompanhar. Cada etapa respeita o seu tempo.

O papel do fisioterapeuta é orientar, acompanhar e seguir junto com você nesse processo, escolhendo a técnica certa para cada momento, e não apressar etapas que o seu corpo ainda não está pronto para viver.

Dúvidas sobre este tema

Posso usar o dilatador sozinha em casa?

O mais seguro é não começar sozinha. Ele é um recurso do fim do tratamento, e usado contra um músculo tenso pode machucar e aumentar o medo. Quando faz sentido usar, o fisioterapeuta pélvico orienta o momento e a forma.

Cheguei no último dilatador e ainda sinto dor. E agora?

Isso mostra que a dor não depende só do tamanho da passagem. A tensão do músculo e o medo também contam. Procure um fisioterapeuta pélvico para avaliar a musculatura e trabalhar o que vem antes do dilatador.

Vou ter que usar dilatador no consultório desde o começo?

Não. Na maioria dos casos o dilatador entra só mais para o final, depois do acolhimento, da respiração e do relaxamento da musculatura. Tudo acontece no seu tempo e com a sua permissão.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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