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Disfunção erétil: o que o assoalho pélvico tem a ver com isso

Tem muito a ver, porque parte da ereção é muscular e, quando os músculos do assoalho pélvico estão fracos, a ereção pode não se sustentar. A fisioterapia pélvica cuida dessa parte, em conjunto com o urologista, que investiga as outras causas.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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A ereção não é só sangue, é também músculo

O assoalho pélvico tem tudo a ver com a disfunção erétil, porque uma parte da ereção é muscular. Quando esses músculos estão fracos, a ereção pode não vir com firmeza ou não se sustentar.

Disfunção erétil é o nome atual do que antes se chamava de impotência sexual. É quando a ereção não acontece ou não se mantém, de forma repetida. Uma falha de vez em quando, num dia de cansaço, não é disfunção.

A ereção é, antes de tudo, um fenômeno do sangue. O pênis fica rígido porque se enche de sangue. Para isso acontecer, as artérias precisam levar esse sangue e os nervos precisam dar o comando. E existe uma terceira peça que pouca gente conhece, os músculos do assoalho pélvico.

Isquiocavernoso e bulbocavernoso, os músculos da ereção

O assoalho pélvico é um conjunto de músculos na base da pelve, como o chão de uma casa. Dois desses músculos ficam bem na raiz do pênis e têm nomes difíceis, isquiocavernoso e bulbocavernoso.

Explicando de forma simples. O bulbocavernoso fica no meio, envolvendo a base do pênis por baixo. Os isquiocavernosos são dois, um de cada lado, presos ao osso da bacia. Na ereção, eles se contraem e apertam a base do pênis, ajudando a segurar o sangue lá dentro. É isso que dá mais firmeza.

Dá até para perceber. Durante a ereção, embaixo do saco escrotal, a região fica mais esticada e aparecem cordõezinhos, dois nas laterais e um no centro. São esses músculos em plena atividade.

Como todo músculo, eles envelhecem e perdem condicionamento quando não são treinados. E músculo fraco aperta menos.

“Uma parte da ereção é muscular, portanto, se você trabalhar musculatura, você já vai ajudar na ereção.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

Quando a causa é muscular

Para facilitar o estudo, a disfunção erétil costuma ser dividida em causas psicológicas e causas orgânicas, que são as do corpo. Entre as do corpo estão alterações hormonais, efeito de remédios, problemas nas artérias e problemas nos nervos. Na vida real, quase sempre as duas coisas aparecem juntas.

A musculatura é uma dessas peças do corpo. Algumas situações levantam a suspeita de que ela está envolvida.

  • Você já fez exames, a testosterona está normal, já tentou remédio e a ereção continua falhando.
  • A ereção vem, mas não se sustenta como antes.
  • Você passou por uma cirurgia de próstata, que mexe nos nervos, nos vasos e na musculatura da região.
  • Com a idade, você sente que a ereção mudou.
  • Há também ejaculação rápida ou medo de falhar, e uma coisa puxa a outra.

Um trabalho junto com o urologista

A fisioterapia pélvica não substitui o médico. O urologista investiga hormônios, circulação, nervos e o efeito dos remédios que você usa, e indica o tratamento médico quando é o caso. A fisioterapia cuida da parte muscular. As duas frentes se completam.

O Dr. Gustavo passou 15 anos no Instituto de Urologia Santa Rita, onde implantou a fisioterapia uroginecológica e proctológica. Essa troca entre fisioterapeuta e urologista faz parte da rotina dele há muito tempo.

E como quase toda dificuldade sexual tem também um lado emocional, o acompanhamento com psicólogo pode somar, principalmente quando existe ansiedade de desempenho, aquele medo de não dar conta que, por si só, já atrapalha a ereção.

Como a fisioterapia pélvica trabalha a ereção

Fisioterapia pélvica não é aperta e solta. Primeiro vem uma conversa longa sobre a sua história. Depois, a avaliação física, que só acontece com a sua permissão, tem termo de consentimento e pode ficar para outro dia. No homem, ela é feita pelo períneo, a pele entre o saco escrotal e o ânus, e, quando necessário, por toque no canal anal, porque o músculo fica por dentro. Com isso, o plano é montado para o seu caso e pode incluir estes recursos.

  • Fortalecimento e coordenação. Exercícios para que os músculos da ereção contraiam com força e na hora certa. Trabalhar o músculo também favorece a circulação da região.
  • Respiração. Ajuda a baixar a ansiedade de desempenho e traz mais confiança para o momento da relação.
  • Biofeedback. Um sensor mostra na tela o que o seu músculo está fazendo, para você enxergar e ajustar a contração.
  • Eletroestimulação. Eletrodos colocados na pele estimulam os nervos ligados à ereção, junto com os exercícios. É bastante usada depois da cirurgia de próstata.
  • Lição de casa. Treino regular, como na academia. Uma semana de exercício não muda músculo nenhum.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Vale procurar avaliação quando a dificuldade de ereção se repete e incomoda você ou o casal, quando os exames estão normais e a queixa continua, ou depois de uma cirurgia de próstata, combinando o momento com o seu urologista.

Não é preciso pedido médico para marcar. Sua parceira ou seu parceiro pode acompanhar a consulta, e o assunto é tratado com calma, respeito e sem julgamento. Não fique sofrendo calado.

Dúvidas sobre este tema

Exercício para o assoalho pélvico substitui o remédio?

Não é uma troca. Quem decide sobre remédio é o seu médico. A fisioterapia trabalha o músculo, que é outra peça da ereção, e as duas coisas podem andar juntas.

Fiz cirurgia de próstata. Quando posso começar a fisioterapia?

O momento você combina com o seu urologista. A fisioterapia pélvica faz parte do cuidado depois da cirurgia e trabalha tanto a perda de urina quanto a ereção.

Mulher também pode ter disfunção erétil?

O clitóris também tem tecido erétil e fica entumecido com a excitação. Quando isso não acontece, pode haver uma dificuldade parecida, e o assoalho pélvico também participa. É uma queixa que merece avaliação.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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