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Dor no ânus: causas e quando a fisioterapia pélvica entra

Dor no ânus tem várias causas, de hemorroida e fissura a abscesso, e algumas precisam ser vistas pelo médico primeiro. Quando a causa envolve o músculo, como a tensão do esfíncter, a fisioterapia pélvica entra para ensinar essa musculatura a relaxar e para cuidar do jeito de evacuar.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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Dor no ânus não é normal, e tem várias causas

Dor no ânus pode ter muitas causas, e a fisioterapia pélvica entra quando o problema envolve o músculo ou o jeito de evacuar. Antes disso, algumas causas precisam ser vistas pelo médico.

É um assunto que dá vergonha, e muita gente vai ao médico e nem comenta. O Dr. Gustavo insiste no contrário: dor não é normal, e ninguém merece conviver com ela. O ânus é uma parte do corpo como qualquer outra, e falar sobre ele é o primeiro passo para cuidar.

Ele também incentiva um autocuidado simples: olhar a região com um espelho e tocar, sem medo. Perceber se há um caroço, se ele é duro ou mole, se sai alguma secreção, ajuda você a explicar o que sente na consulta.

As causas que o médico precisa ver primeiro

Algumas causas de dor no ânus pedem avaliação médica, de preferência com um coloproctologista, o médico especialista nessa região. Se a dor é constante e não há um especialista perto, o pronto-socorro é o caminho.

  • Hemorroida externa: as veias da região inflamam e doem. A interna raramente dói, mas pode sangrar.
  • Trombose hemorroidária: um coágulo dentro da hemorroida, que forma um caroço duro e muito dolorido.
  • Abscesso: um acúmulo de pus. Qualquer secreção saindo da região é motivo para procurar atendimento.
  • Fístula: um pequeno canal que pode se formar quando o abscesso demora a ser tratado.
  • Plicoma: um excesso de pele que, quando maior, pode inflamar e doer.
  • Sangue vivo no vaso ou dor que não passa também pedem consulta.
“Uma das coisas mais importantes para que você trabalhe dor na região do ânus é você aprender a trabalhar essa musculatura para que você relaxe essa musculatura.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

Fissura: o corte que dói na hora de evacuar

A fissura é um pequeno corte na pele do ânus, uma região muito sensível e cheia de vasos. Ela costuma doer principalmente na hora de fazer cocô, e muitas vezes é causada por fezes endurecidas. Ou seja, intestino preso e fissura andam juntos.

Por isso, segundo o Dr. Gustavo, o primeiro passo para cuidar da fissura é melhorar o intestino. Enquanto as fezes continuarem duras e a pessoa continuar fazendo muita força, a região volta a se machucar. O tratamento da fissura em si é indicado pelo médico, que pode prescrever uma medicação para a região.

E existe um ciclo. Quando a pessoa já sabe que vai doer, o músculo do ânus se fecha de medo. Com o músculo fechado, a saída fica mais difícil, a força aumenta e a região sofre mais.

Quando a dor vem do músculo

Em volta do ânus existe um conjunto de músculos, entre eles o esfíncter, o anel muscular que fecha o ânus. Quando a dor não é hemorroida, abscesso, fístula nem trombose, muitas vezes o que acontece é que essa musculatura está tensa demais. O nome técnico é hipertonia.

O Dr. Gustavo compara com as costas que ficam duras depois de um dia de trabalho: isso acontece no ânus também. E o estresse piora, porque quando você está estressado os músculos do corpo tensionam, e os do ânus não ficam de fora. Algumas condições ligadas a essa tensão:

  • Proctalgia fugaz: uma dor súbita e aguda, lá no fundo, que aparece do nada e depois passa.
  • Coccigodínia: dor no cóccix, o ossinho do fim da coluna, que se espalha para o ânus.
  • Anismo: o músculo contrai na hora em que deveria relaxar para evacuar. O artigo sobre intestino preso explica esse mecanismo.
  • Neuralgia do pudendo: quando a tensão ou uma lesão afetam o nervo da região. Ela tem um artigo próprio.

O que a fisioterapia pélvica faz

O fisioterapeuta pélvico trabalha o músculo. A meta é que você aprenda a relaxar essa musculatura, porque é por aí que muita dor no ânus começa a ser cuidada. A avaliação pode incluir o toque no canal anal, sempre explicado antes e feito só com a sua permissão.

O Dr. Gustavo lembra que o ideal é passar primeiro pelo médico, para descartar as causas mais sérias. Quando a dor volta mesmo depois do tratamento médico, vale entender o mecanismo, porque muitas vezes ele está no músculo e nos hábitos do dia a dia. Entre os recursos:

  • Liberação e relaxamento da musculatura em volta do ânus.
  • Biofeedback, um aparelho com sensor que mostra o que o músculo está fazendo, para você aprender a soltar na hora certa.
  • Posição no vaso e respiração na hora de evacuar, sem fazer força.
  • Orientação sobre água e alimentação para as fezes não endurecerem.
  • Banho de assento com água morna, que ajuda a relaxar a região.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Se a sua dor no ânus já foi avaliada pelo médico e as causas que pedem tratamento médico foram descartadas, ou se ela volta mesmo depois do tratamento, procure um fisioterapeuta pélvico. Também vale procurar se a dor vem junto com intestino preso, força excessiva para evacuar ou pontadas que vêm e vão. Não precisa de pedido médico.

Se houver pus, sangue vivo ou dor forte que não passa, procure atendimento médico antes.

A primeira consulta é uma conversa, num ambiente reservado e respeitoso. O exame com toque só acontece com a sua permissão, e pode ficar para outro dia.

Dúvidas sobre este tema

Fissura anal tem relação com intestino preso?

Sim. Fezes endurecidas são uma causa comum da fissura, por isso cuidar do intestino é parte importante do cuidado. A fisioterapia pélvica ajuda no jeito de evacuar e no relaxamento do músculo, e o tratamento da fissura é indicado pelo médico.

Pontada no ânus que vem e passa é grave?

Uma dor súbita que some sozinha pode estar ligada à tensão do músculo, como na proctalgia fugaz. Mesmo assim, dor que se repete merece avaliação, para descartar outras causas.

Banho de assento ajuda na dor no ânus?

A água morna ajuda a relaxar a musculatura da região. Ele não substitui a avaliação: o importante é entender o que está causando a dor.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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