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Dor na relação depois do parto: é normal?

Não. Dor na relação nunca é normal, nem depois do parto, e não é algo que você precise aguentar até passar. Cicatriz e músculos tensos estão entre os motivos possíveis, e a fisioterapia pélvica cuida dos dois.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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Não, e você não precisa esperar passar

Não é normal sentir dor na relação depois do parto. O Dr. Gustavo é direto nisso: sentir dor nunca vai ser normal. A dor do parto em si é outra história, porque faz parte de um processo do corpo. Já a dor que aparece quando você retoma a vida íntima é um sinal de que algo precisa de cuidado.

Muita mulher ouve que é assim mesmo, que com o tempo melhora, e vai empurrando. Enquanto isso, a relação vira motivo de tensão, de medo e de evitar o parceiro. Não precisa ser assim. Dor tem causa, e causa se investiga.

O que pode estar por trás da dor

Cada caso é um caso, e só a avaliação mostra o que está acontecendo com você. Dois motivos aparecem com frequência quando a dor começa depois do parto.

O primeiro é a cicatriz. Se houve episiotomia, o corte feito no períneo durante o parto normal, ou laceração, quando o tecido rasga, a região foi costurada. O tecido de cicatriz costuma ser mais duro e menos elástico, e o Dr. Gustavo explica que a relação pede movimento. Uma região rígida não acompanha esse movimento e pode doer. O artigo Cicatriz de episiotomia dolorida: o que a fisioterapia pode fazer fala só desse assunto.

O segundo é a tensão muscular. O assoalho pélvico, o conjunto de músculos que forma o chão da pelve, pode ficar rígido, num estado que os profissionais chamam de hipertonia. Ele compara com o pescoço de quem passa o dia inteiro no computador: o músculo endurece e dói. Um músculo assim não tem a flexibilidade que a penetração pede. E quando a relação dói uma vez, o corpo tende a se proteger da próxima, contraindo ainda mais.

Por isso a dor depois do parto não é exclusiva de quem teve parto normal. A tensão do músculo pode aparecer em qualquer caso, e a avaliação também olha outros sinais, como a sensação de peso na vagina.

“Sentir dor nunca vai ser normal, em hipótese nenhuma, talvez só no parto, porque é um processo fisiológico.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

Por que não adianta só fazer aperta e solta

No pós-parto, muita mulher ouve que precisa fortalecer o assoalho e começa a fazer o exercício de aperta e solta por conta própria. Se a queixa é dor na relação, esse pode ser o caminho errado. O aperta e solta é um exercício de força. Num músculo que já está tenso, ele aumenta a tensão e pode piorar a dor.

O fortalecimento pode ter o seu momento, mas depois de um trabalho de relaxamento. Primeiro o músculo aprende a soltar. Por isso a avaliação vem antes de qualquer exercício.

Como a fisioterapia pélvica cuida dessa dor

A primeira consulta é uma conversa: como foi o parto, onde dói, quando dói, como está o seu dia a dia. A avaliação de toque mostra como estão a cicatriz e os músculos, e só acontece com a sua permissão. Se você não estiver pronta, ela fica para outro dia. Seu parceiro pode acompanhar a consulta, se você quiser.

Com a avaliação feita, o tratamento é montado para o seu caso. Alguns recursos que costumam fazer parte:

  • Respiração, para o corpo desacelerar e o assoalho relaxar
  • Mobilidade do quadril, porque a pelve rígida também trava a região
  • Massagem perineal e liberação miofascial, técnicas manuais que soltam o músculo e o tecido ao redor
  • Laser de baixa intensidade, uma luz de pouca potência usada para aliviar a dor e ajudar na cicatrização
  • Dilatadores vaginais, usados aos poucos e só com orientação

Você no comando, no seu ritmo

Tratar dor não pode virar mais dor. Nos atendimentos, o Dr. Gustavo usa uma escala de 0 a 10 para a paciente dizer o quanto sente, e pede que ela avise quando o desconforto passar do limite combinado. Aí ele diminui a intensidade. Você não precisa aguentar calada.

Em casa, vale o mesmo cuidado. Os exercícios que o fisioterapeuta passar entram na rotina, um pouco todo dia. Se algum deles aumentar a dor, pare e conte na próxima sessão.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Procure avaliação se a relação dói desde que você teve o bebê, se arde, se dói na entrada ou lá no fundo, ou se você passou a evitar a relação por medo da dor. Também vale procurar se a cicatriz incomoda no dia a dia.

Você não precisa de pedido médico para a consulta. Se o parto foi recente, combine com o seu obstetra o momento de começar. E, se a dor é profunda e vem com cólica forte, leia também Dor na relação e endometriose: como a fisioterapia pélvica ajuda.

Dúvidas sobre este tema

Fiz cesárea e a relação dói. Pode ser o assoalho pélvico?

Pode. O assoalho sustenta o peso do bebê durante a gravidez inteira, qualquer que seja a via de parto, e a tensão muscular pode aparecer em qualquer caso. A avaliação mostra de onde vem a sua dor.

Desconforto na primeira relação depois do parto é para aceitar?

Dor não é algo para aceitar. Se a relação doeu, e principalmente se continua doendo, vale procurar uma avaliação em vez de esperar que passe sozinha.

Meu parceiro pode ir junto na consulta?

Pode, se você quiser. A primeira consulta é uma conversa, e o toque só acontece com a sua permissão.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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