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Dor na relação e endometriose: como a fisioterapia pélvica ajuda

A fisioterapia pélvica ajuda na dor na relação causada ou agravada pela endometriose ao trabalhar a tensão dos músculos, a mobilidade da pelve e os tecidos que ficaram rígidos. Ela não substitui o médico: os dois cuidados caminham juntos.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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Dor lá no fundo: o que pode ser

A fisioterapia pélvica ajuda na dor na relação ligada à endometriose porque trabalha a tensão dos músculos, o movimento da pelve e os tecidos que ficaram rígidos, sempre junto com o acompanhamento do seu médico. Mas antes vale entender que tipo de dor é essa.

Dor durante a relação tem nome técnico: dispareunia. Ela pode ser superficial, quando dói na entrada da vagina, ou profunda, quando a dor aparece lá dentro, na pelve, com o movimento e em algumas posições. Essa diferença importa, porque a dor na entrada costuma apontar para o vaginismo e outras tensões da parte superficial do músculo, enquanto a dor no fundo pede que se investiguem outras causas.

A endometriose é uma das causas possíveis da dor profunda. Não é a única. Bexiga ou útero mais baixos também podem fazer a relação doer lá no fundo. Por isso a avaliação é o primeiro passo, e o diagnóstico da endometriose é feito pelo médico.

O que é a endometriose, em palavras simples

O endométrio é o tecido que reveste o útero por dentro e descama todo mês na menstruação. Na endometriose, um tecido parecido com ele aparece fora do útero, às vezes bem longe dele.

O corpo entende esse tecido como algo que não deveria estar ali e reage com inflamação. Como isso se repete mês a mês, a inflamação fica crônica e vai formando um tecido de cicatriz, que os médicos chamam de fibrose ou aderência. O Dr. Gustavo explica com uma imagem simples: esse tecido é feito principalmente de colágeno, e colágeno cola. Ele vai grudando órgãos como bexiga, intestino, ovários e trompas, e é daí que vêm muitas das dores.

Alguns sinais que costumam aparecer junto:

  • Cólicas menstruais muito fortes, às vezes desde a adolescência.
  • Dor na pelve de forma geral, com sensação de estufamento durante o ciclo.
  • Dor na relação, principalmente lá no fundo.
  • Dificuldade para evacuar.
  • Dificuldade para engravidar.
“Vocês vão precisar de dois profissionais na sua vida. O médico, que tem que acompanhar com frequência, e o fisioterapeuta pélvico.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

A dor que puxa a tensão

Existe um segundo problema que muita gente não conhece. A dor leva à contração do músculo. Quando a pelve dói com frequência, os músculos ao redor se defendem e vão ficando tensos e rígidos, principalmente os do assoalho pélvico e alguns músculos internos do quadril, como o piriforme.

É o mesmo que acontece com o pescoço de quem passa o dia inteiro curvado no computador: ele endurece. Só que, na pelve, um músculo duro deixa a relação ainda mais dolorida. A tensão muscular passa a somar com a dor da endometriose, e uma alimenta a outra.

Por isso, se você tem endometriose e sente dor na relação, não comece pelo aperta e solta. Contrair um músculo que já está tenso tende a piorar a dor.

O que a fisioterapia pélvica faz

O trabalho do fisioterapeuta pélvico é cuidar do que é do músculo e do movimento. Alguns recursos usados:

As técnicas manuais podem ser desconfortáveis na hora, e isso é dito com honestidade antes. Tudo é explicado, feito devagar e no limite que você permitir. O objetivo é aliviar a dor e melhorar a sua qualidade de vida, e cada corpo responde de um jeito.

  • Liberação miofascial: técnica manual que solta pontos de tensão no músculo e na fáscia, a capa fina que envolve o músculo, inclusive em regiões que ficaram rígidas e aderidas.
  • Massagem perineal: massagem na entrada da vagina para devolver flexibilidade a uma região dura e dolorida.
  • Mobilidade da pelve: movimentos do quadril que deixam a região mais livre. O Dr. Gustavo conta que muitas mulheres com endometriose percebem menos dor quando dançam, justamente porque a dança mexe o quadril.
  • Respiração e alongamento, para ajudar o corpo a desacelerar e a musculatura a soltar.

Médico e fisioterapeuta, lado a lado

A endometriose é uma condição crônica, que costuma acompanhar a mulher por muitos anos. O médico cuida da doença em si: diagnóstico, exames, remédios e, quando for o caso, cirurgia. O fisioterapeuta pélvico cuida dos músculos, da mobilidade e da dor que a condição deixa no corpo, inclusive depois de uma cirurgia.

Um cuidado não substitui o outro. Eles se completam, e o ideal é que você seja acompanhada pelos dois.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Se a relação dói, principalmente lá no fundo, se você tem cólicas fortes, dor na pelve ou já tem o diagnóstico de endometriose, vale procurar um fisioterapeuta pélvico. Dor não é normal em nenhuma parte do corpo, e na região íntima também não. Você não precisa de pedido médico para começar, e o seu médico continua sendo parte importante do cuidado.

A primeira consulta é conversa: onde dói, quando dói, em quais posições, como está o seu ciclo e a sua saúde em geral. O toque só acontece com a sua permissão, com termo de consentimento, e pode ficar para outro dia.

Dúvidas sobre este tema

Toda dor na relação lá no fundo é endometriose?

Não. A endometriose é uma das causas possíveis, mas bexiga ou útero baixos e a tensão dos músculos da pelve também podem causar dor profunda. Quem confirma a endometriose é o médico, e a avaliação do fisioterapeuta ajuda a entender o que é do músculo.

A fisioterapia pélvica substitui o tratamento médico da endometriose?

Não. Ela complementa. O médico cuida da doença e o fisioterapeuta pélvico cuida da tensão muscular, da mobilidade e da dor. O ideal é ter os dois acompanhando você.

A liberação miofascial dói?

Pode incomodar na hora, principalmente numa região que já está dolorida. Por isso tudo é explicado antes, feito devagar e no limite que você permitir, com o objetivo de aliviar a dor.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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