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Ejaculação precoce tem relação com o assoalho pélvico?

Tem relação, sim. A ejaculação precoce é uma perda de controle que tem um lado mental e um lado do corpo, e aprender a perceber os músculos do assoalho pélvico e a respirar faz parte do cuidado, junto com o olhar para a ansiedade.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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É corpo e é cabeça

Sim, a ejaculação precoce tem relação com o assoalho pélvico. Ela é, antes de tudo, uma perda de controle, e esse controle tem um lado mental e um lado do corpo.

Muita gente ouve que ejaculação precoce é coisa psicológica. Em parte é. Estresse, cansaço, medo, pressão e ansiedade mexem muito com o momento em que o homem ejacula. Mas o corpo também participa, e é dessa parte que quase não se fala.

O Dr. Gustavo costuma dizer que nenhuma disfunção sexual é só física ou só emocional. Por isso, além da fisioterapia pélvica, ele pergunta aos pacientes se já passaram pelo médico e se têm acompanhamento com psicólogo. São olhares que se somam.

Onde o assoalho pélvico entra nessa história

O assoalho pélvico é um conjunto de músculos na base da pelve, como o chão de uma casa. No homem, ele fica por dentro, na região entre o saco escrotal e o ânus.

Repare num detalhe. O sêmen sai pela uretra, o mesmo canal da urina. E a uretra atravessa bem o meio do assoalho pélvico. Quando você aprende a perceber e a comandar esses músculos, ganha controle sobre essa região, e isso inclui o controle da ejaculação.

Quando essa musculatura está fraca ou pouco condicionada, o controle fica mais difícil. É parecido com qualquer outro músculo do corpo. O que não é treinado responde mal justamente na hora em que você precisa dele.

“A partir do momento em que você tem um controle sobre a sua ejaculação através do seu corpo, você também tranquiliza a sua mente.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

Ansiedade e o modo luta ou fuga

Existe um sistema no corpo que se liga quando você está em perigo, numa briga ou num assalto. É o modo luta ou fuga. Ele prepara os músculos para você correr ou se defender. O nome técnico é sistema nervoso simpático.

Acontece que o corpo do homem ansioso, na hora da relação, não entende que está num momento de intimidade. Ele entende que está diante de algo estressante. E é justamente o sistema simpático que comanda a ejaculação. Com ele ligado no máximo, a ejaculação chega mais rápido.

Daí nasce um ciclo. Aconteceu uma vez, e na próxima a cabeça já espera que aconteça de novo. A ansiedade sobe, o corpo acelera e o medo cresce. Com o tempo, alguns homens passam a evitar a relação ou começam a ter dificuldade de ereção por puro receio de falhar.

O caminho de volta também existe. Quando você aprende a controlar a ejaculação pelo corpo, a mente se acalma. Uma coisa ajuda a outra.

Como se treina o controle

Fisioterapia pélvica não é aperta e solta. Músculo pede treino, como na academia. Ninguém vai à academia uma semana e sai com o corpo que queria, e com o assoalho pélvico é igual. O controle vem com prática regular, e cada pessoa tem o seu ritmo.

Também não é algo para aprender sozinho por vídeo. A fisioterapia pélvica é prática e precisa de alguém olhando o seu corpo, corrigindo o exercício e ajustando o plano. O trabalho tem algumas frentes, e quais delas entram no seu caso é definido depois da avaliação.

  • Consciência do músculo. Aprender onde fica o assoalho pélvico, como contrair e, tão importante quanto, como relaxar.
  • Respiração. Quando a excitação sobe, a respiração muda. Respirar com calma ajuda a frear o sistema simpático, o mesmo da luta ou fuga.
  • Perceber o ponto sem retorno. É o instante a partir do qual a ejaculação não tem mais volta. Reconhecer quando ele se aproxima e pausar antes dele é uma habilidade que se aprende.
  • Lição de casa. Exercícios simples para a rotina, como escovar os dentes.

Como é a avaliação no homem

A primeira consulta é uma conversa. É o momento de contar sua história, há quanto tempo isso acontece, se acontece sempre ou só em algumas situações, que remédios você usa e como anda a sua rotina.

O exame físico só acontece com a sua permissão. Tudo é explicado antes, você assina um termo de consentimento e, se não se sentir à vontade, o exame fica para outro dia. No homem, a musculatura é avaliada pelo períneo, a pele entre o saco escrotal e o ânus, e, quando necessário, por toque no canal anal, porque o músculo fica por dentro.

Se quiser, sua parceira ou seu parceiro pode acompanhar a consulta. E não é preciso pedido médico para marcar.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Vale procurar avaliação quando a ejaculação acontece antes do que você gostaria com frequência e isso incomoda você ou o casal. Uma vez ou outra, num dia de cansaço ou nervosismo, acontece com qualquer um.

Também vale se você já passou pelo médico ou pelo psicólogo e sente que falta cuidar da parte do corpo. A fisioterapia pélvica entra justamente aí, somando ao que você já faz.

Muito homem demora a pedir ajuda por vergonha, achando que precisa resolver tudo sozinho. Não fique sofrendo calado. O assunto é tratado com respeito e sem julgamento.

Dúvidas sobre este tema

Remédio resolve a ejaculação precoce?

Quando existe indicação de remédio, essa é uma decisão sua com o seu médico. A fisioterapia pélvica trabalha outra parte, o controle pelo corpo, que você aprende e leva para a vida. As duas coisas podem andar juntas.

Demorar muito para ejacular também é um problema?

Pode ser. Existe a ejaculação retardada, quando o homem tem ereção mas não consegue chegar ao fim, mesmo querendo. Nesses casos o lado emocional costuma pesar bastante, e o acompanhamento com psicólogo, somado à avaliação do assoalho pélvico, faz parte do caminho. E a parceira ou o parceiro não deve se culpar por isso.

Tenho vergonha de falar disso. Como é a conversa?

É comum sentir vergonha, e muitos homens chegam assim. A primeira consulta é uma conversa no seu tempo, nada acontece sem a sua permissão e você pode ir acompanhado, se preferir.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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