O que é a eletroestimulação
A eletroestimulação, também chamada de eletroterapia, serve para fazer o assoalho pélvico contrair com a ajuda de um estímulo elétrico leve, e na bexiga hiperativa ela também ajuda a acalmar a bexiga. Quase todo mundo que já passou por fisioterapia conhece o famoso choquinho: aqueles eletrodos quadrados colados no braço ou na perna para fortalecer um músculo ou aliviar dor. Na fisioterapia pélvica o princípio é o mesmo, só que o alvo é o assoalho pélvico.
O motivo é conhecido há décadas: o estímulo elétrico, com os parâmetros certos, favorece a contração muscular. Quando um músculo está fraco ou a pessoa não consegue movimentá-lo sozinha, o estímulo ajuda a musculatura a acordar.
Junto com o biofeedback, que tem um artigo próprio aqui no blog, é um dos recursos que mais aparecem no pedido médico e um dos que o Dr. Gustavo mais usa no consultório. Se o seu pedido traz esse nome e você ficou com receio, a ideia aqui é mostrar o que acontece de verdade numa sessão.
As formas de aplicar: por dentro, na pele e na perna
Existem três formas principais, e a escolha depende do seu caso e do seu conforto.
- Intracavitária: uma sonda com uma parte de metal entra no canal vaginal, na mulher, ou no ânus, no homem, sempre com preservativo e lubrificante. Ela estimula o músculo onde ele está, por dentro
- Superficial: eletrodos colados na pele do períneo, a região entre a vagina e o ânus ou entre o escroto e o ânus, parecidos com os de eletrocardiograma
- Tibial posterior: eletrodos na perna, dos dois lados. Ali passa um ramo do nervo que também chega à bexiga, e o estímulo ajuda a acalmar a bexiga hiperativa sem tocar na região íntima
“Não dá choque não. Se desse choque, ninguém voltava aqui no meu consultório. Não é assim que funciona, mas você vai sentir um negócio diferente.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal
Dói? Como é a sensação
Não é para doer. O que você sente é uma sensação diferente, um estímulo que faz o músculo contrair sem você fazer força. A intensidade é ajustada durante a sessão: o fisioterapeuta pergunta o tempo todo se está fraco, forte ou tolerável, e só aumenta quando você diz que está bem.
Nos eletrodos de pele, o estímulo pega mais as fibras superficiais do músculo. Pela sonda, chega às fibras mais profundas, e na experiência clínica do Dr. Gustavo costuma ser mais efetivo para fortalecer. A sensação por dentro é diferente, e às vezes um pouco estranha nas primeiras vezes, por isso ele explica antes e começa com calma.
Antes de qualquer estímulo vem a conversa e a avaliação, e nenhum procedimento acontece sem a sua permissão.
Quando ela é indicada
A eletroestimulação é um recurso, não um tratamento sozinho. Ela costuma entrar em situações como estas:
- Incontinência urinária por músculo fraco, comum com o envelhecimento e depois da menopausa, quando a musculatura perde massa
- Perda de urina depois da cirurgia de próstata, para ajudar o homem a reativar o músculo
- Bexiga hiperativa, principalmente pelo nervo tibial posterior
- Intestino preso e incontinência fecal, ligados ao trabalho do músculo do ânus
- Dor pélvica, vaginismo e dor na relação, com outros parâmetros e outro objetivo, porque ali o músculo precisa relaxar e não ganhar força
O choquinho não trabalha sozinho
Na internet há aparelhos vendidos para fortalecer o assoalho pélvico em casa. O Dr. Gustavo faz dois alertas. O primeiro é que existem tipos diferentes de corrente elétrica: uma é pensada para aliviar dor, a TENS, e outra para fortalecer músculo, a FES. Um aparelho com a corrente errada não faz o que promete. O segundo é que, sem avaliação, você não sabe se precisa fortalecer ou relaxar, e estimular um músculo que já está tenso pode piorar a dor.
Tem também um ponto que vale para qualquer músculo do corpo: o estímulo elétrico ajuda, mas não substitui o exercício. Ele funciona quando é feito junto com o treino ativo, você contraindo o músculo ao mesmo tempo. Na bexiga hiperativa, depois de avaliar o caso, o fisioterapeuta pode orientar o uso de um aparelho em casa, sempre com acompanhamento.
Quando procurar um fisioterapeuta pélvico
Se você perde urina, tem urgência para ir ao banheiro, intestino preso, dor pélvica, ou se o seu médico indicou fisioterapia com eletroestimulação e você quer entender o que vai acontecer, procure um fisioterapeuta pélvico. Não precisa de pedido médico.
É ele quem avalia se a eletroestimulação faz sentido para você, qual forma usar e com que objetivo. A fisioterapia pélvica é muito presencial, porque depende de toque e de aparelho, e no consultório do Dr. Gustavo cada etapa é explicada antes de acontecer.



