A fisioterapia ajuda quando o canal estreitou depois da radioterapia?
Ajuda, e o Dr. Gustavo trata esse cuidado como parte necessária da recuperação. Numa live, uma mulher contou que fez radioterapia por um câncer de colo do útero e que depois não conseguia mais ter relação, porque o canal tinha fechado. A resposta dele foi que, sempre que a radioterapia passa pelo canal vaginal, é preciso fazer fisioterapia pélvica para cuidar desse canal. Sem esse trabalho, ele tende a se fechar.
O nome técnico desse estreitamento é estenose vaginal. Ele pode tornar a relação dolorosa ou impossível e também dificultar o exame ginecológico, que continua sendo importante no acompanhamento de quem tratou um câncer.
Por que o canal estreita
A radioterapia no colo do útero atinge também as paredes da vagina, que ficam no caminho. Na cicatrização, o tecido pode formar fibrose, que é um tecido mais duro e menos elástico. O Dr. Gustavo descreve o resultado com a palavra colabar: as paredes do canal vão se colando e a passagem diminui.
Ele junta a isso uma ideia que repete nas lives: a região íntima precisa ser usada, porque, sem uso, ela atrofia. Depois de um tratamento de câncer, é comum a mulher passar muito tempo sem relação e sem nenhum estímulo no canal. Ele conta que, quando a relação volta depois de um intervalo longo, pode haver dor e até sangramento, porque o corpo não estava mais preparado. O objetivo da fisioterapia nesse período é manter o canal flexível e funcionante.
“Toda vez que a gente faz radioterapia na região do colo do útero, você precisa fazer fisioterapia, principalmente para melhorar esse canal, você precisa dilatar.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal
Dilatador: o que conta é a constância
O dilatador vaginal é um conjunto de peças de tamanhos crescentes. A mulher da live contou que, no começo do tratamento, foi orientada a usar uma peça desse tipo e não conseguiu. O Dr. Gustavo considera essa orientação fundamental, porque é o uso da peça que impede o canal de fechar. A ideia é dilatar aos poucos e ir aumentando.
O problema é que muita gente começa e para. Foi o caso de outra mulher que escreveu numa live: tinha estenose, já tinha usado os dilatadores, sentia muita dor e havia desistido. A resposta dele foi que o uso precisa ser frequente e constante, porque a interrupção dá espaço para a região fechar de novo.
Vale um esclarecimento para quem já leu aqui no blog que o dilatador costuma entrar só no fim do tratamento. Isso vale para o vaginismo, em que o canal é normal e quem fecha é o músculo, por medo. Na estenose depois da radioterapia a situação é outra: o tecido em si perdeu elasticidade, e a dilatação é uma parte central do cuidado.
O que o fisioterapeuta faz além do dilatador
O Dr. Gustavo não esconde que esse é um tratamento desconfortável. Ele mesmo avisa que é dolorido e que, por isso, costuma ser difícil fazer sozinha em casa. É aí que entra o trabalho do fisioterapeuta pélvico, que tem recursos para aliviar a dor e permitir que a dilatação avance.
Segundo ele, é um trabalho muito prático, feito com as mãos. Os recursos que ele cita são:
- Massagem e liberação miofascial, técnicas manuais que soltam os pontos de tensão do músculo e da fáscia, a capa fina que o envolve.
- Abertura manual e gradual do canal, feita pelo fisioterapeuta.
- Eletroterapia, que melhora a circulação no local, leva nutrientes ao tecido e ajuda no alívio da dor.
- Radiofrequência e biofeedback, aparelhos que entram conforme a avaliação de cada caso.
- Orientação sobre o uso do dilatador em casa, para que a constância seja possível.
Quanto antes começar, melhor
O tempo pesa nesse quadro. Para a mulher que tinha feito o tratamento alguns anos antes, o recado dele foi não esperar mais: quanto mais tempo passa, mais o canal estreita. Começar cedo dá menos trabalho do que tentar reabrir um canal que ficou anos fechado.
Se você está em tratamento ou terminou há pouco, pergunte à equipe médica que acompanha o seu caso sobre a fisioterapia pélvica e sobre o momento certo de começar. Se ninguém tocou nesse assunto com você, vale levantar a questão. E se a radioterapia já ficou para trás há mais tempo, isso não é motivo para desistir. É motivo para procurar avaliação logo.
Quando procurar um fisioterapeuta pélvico
Procure avaliação se você fez radioterapia na região pélvica e percebe o canal mais curto ou mais apertado, sente dor na relação, teve sangramento ao tentar, não consegue fazer o exame ginecológico ou recebeu dilatadores e não conseguiu manter o uso. Dor na relação não é para ser aceita como normal.
Não é preciso pedido médico para marcar a consulta, e o fisioterapeuta trabalha em conjunto com a equipe que cuida de você. A avaliação é individual, começa pela conversa sobre o seu histórico, e o toque só acontece com a sua permissão.



