Dá para aprender os exercícios sozinha?
A teoria, sim. A certeza de estar fazendo certo, não. O assoalho pélvico é o conjunto de músculos que fecha a parte de baixo da pelve e sustenta a bexiga, o útero e o intestino. Ele fica dentro do corpo, e por isso você não enxerga o que acontece quando tenta contrair.
O Dr. Gustavo é franco sobre isso nas lives. Ele diz que o conhecimento que circula na internet é válido, e que os vídeos de exercício não estão necessariamente errados. O que falta é a prática conferida por alguém. Depois de mais de vinte anos de consultório, ele afirma que não há como ter certeza de que a pessoa executa o movimento certo sem o toque.
É por esse motivo que ele quase não passa séries de exercício no canal. Dicas e referências ajudam e levam você até certo ponto. O pedaço que falta é justamente saber se o músculo está sendo ativado.
O comando é simples, fazer é outra história
O comando que todo mundo vê por aí está correto: contraia como se estivesse segurando um pum. Ele explica que é mais fácil sentir pelo ânus do que pela vagina, e que o movimento é de apertar para dentro e para cima, no sentido da cabeça.
Só que falar é uma coisa e fazer é outra. Como são músculos que ninguém treina no dia a dia, quase todas as pessoas que chegam para a avaliação têm alguma dificuldade, mesmo as que não têm queixa. Ele conta que já recebeu várias pacientes vindas de cursos online, seguras de que sabiam contrair. Pediu que mostrassem, e o músculo não respondia.
Tem ainda o problema da interpretação. Uma instrução escrita ou falada é entendida de um jeito por você e de outro pela vizinha. Num músculo que não se vê, essa diferença passa despercebida.
“Não dá para saber se a pessoa está executando o movimento de forma correta sem ser pelo toque.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal
Quem empurra em vez de puxar
O erro que mais preocupa o Dr. Gustavo é o de quem acha que está apertando e está expulsando. A pessoa faz o famoso aperta e solta e, na avaliação, o movimento vai para fora, como na força de fazer cocô. Ele considera isso pior do que não fazer exercício nenhum.
Numa avaliação que ele transmitiu ao vivo, com uma paciente sem nenhuma queixa, apareceram outros detalhes que ninguém percebe sozinha. Ela apertava bem, mas prendia a respiração a cada contração. Tinha pressa de apertar de novo e não soltava o músculo por completo entre uma e outra. E faltava o puxão para cima.
Para esse puxão ele usa uma comparação: pense na calça apertada, quando você encolhe a barriga para conseguir subir o zíper. É esse encolher, sem estufar o abdômen e sem ajuda da coxa ou do bumbum, que acompanha a contração certa. A barriga, aliás, é uma das referências que ele observa durante o exame.
Por que o treino pronto não serve para todo mundo
Mesmo quem contrai certo pode treinar errado. Na mesma avaliação, a paciente conseguiu manter a contração por três segundos. Um treino de internet que manda segurar dez segundos, para ela, não funcionaria. O Dr. Gustavo compara com a academia: quem segura cinco quilos não começa pegando cinquenta.
Por isso ele testa antes de montar o treino. Mede a força, vê quanto tempo o músculo aguenta e se a pessoa consegue contrair e soltar na hora certa. O protocolo que você leva para casa sai desses números, que mudam de uma pessoa para outra.
Existe ainda quem não deveria contrair. Em quem tem dor na relação ou vaginismo, a musculatura costuma estar tensa, e o trabalho começa pelo relaxamento. Fazer exercício de força por conta própria, nesses casos, pode piorar o quadro.
O que fica por sua conta depois de aprender
A avaliação não cria dependência do consultório. A ideia do Dr. Gustavo é dar autonomia: você aprende a contrair, recebe o seu protocolo e passa a treinar em casa. É aí que o resultado se constrói, e sem constância a perda de xixi pode voltar tempos depois.
A rotina que ele costuma pedir aos pacientes é esta:
- Treinar três vezes ao dia, de manhã, à tarde e à noite
- Reservar uns dez minutinhos em cada período
- Tratar o treino como hábito, do mesmo jeito que quem vai à academia
- Conferir de vez em quando com o próprio dedo se a contração continua acontecendo
- Usar um biofeedback portátil, se tiver, para ver a contração enquanto treina
Quando procurar um fisioterapeuta pélvico
Se você faz exercícios por vídeo e não sabe se está acertando, se treina há um tempo e continua perdendo xixi, ou se sente dor quando tenta contrair, vale passar por uma avaliação. O Dr. Gustavo insiste que não precisa ser com ele: pode ser com um fisioterapeuta pélvico da sua cidade. O que importa é alguém conferir o movimento pelo menos uma vez.
Se não houver profissional perto de você, uma consulta online já orienta hábitos e exercícios, e ele considera isso melhor do que seguir sem orientação. A confirmação pelo toque fica para quando for possível. Não é preciso pedido médico para marcar.



