Vale fazer fisioterapia pélvica sem sintomas?
Vale. Para o Dr. Gustavo, a fisioterapia pélvica é preventiva, ou pelo menos deveria ser. Ele chama isso de checkup íntimo: uma avaliação para saber como está a musculatura da região e o que você precisa fazer no dia a dia para cuidar dela.
O exemplo que ele dá aos pacientes é o da escova de dentes. Ninguém espera a cárie para começar a escovar. A gente aprende cedo que, sem esse cuidado diário, o problema aparece. Com o resto do corpo é igual, e com a região íntima também. A diferença é que quase ninguém foi ensinado a cuidar dela.
O assoalho pélvico é o conjunto de músculos que fica na base da pelve. Ele sustenta a bexiga, o útero ou a próstata e o final do intestino, e ajuda a fechar a saída do xixi e do cocô. É um músculo como outro qualquer: pode ser avaliado, treinado e mantido.
O músculo muda com a idade, mesmo sem avisar
Muita gente pensa que só vai precisar se preocupar com isso quando ficar mais velha. O Dr. Gustavo discorda. Ele lembra que a massa muscular começa a cair a partir dos 30 anos, no corpo todo, e o assoalho pélvico entra nessa conta. Por isso ele diz, principalmente às mulheres, que essa é a idade de começar a prestar atenção.
Na avaliação, uma das coisas que ele observa é se a musculatura está numa condição compatível com a idade da pessoa. Nem sempre está. Ele conta que já avaliou mulheres na casa dos 30 com uma musculatura tão enfraquecida que parecia ter vinte anos a mais. Nenhuma delas imaginava isso, porque fraqueza no começo não dói e não vaza.
A pergunta que ele costuma fazer é direta: faz sentido esperar a perda de xixi aparecer, que já é algo mais sério, em vez de se conhecer antes?
“Você vai esperar ficar com uma incontinência urinária, que já é algo mais sério, em vez de já tratar antes, em vez de já se conhecer antes?”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal
Contrair e relaxar: quase ninguém sabe fazer
O principal ganho de uma avaliação preventiva é consciência. O Dr. Gustavo recomenda que homens e mulheres, de qualquer faixa etária, tenham ao menos uma percepção mínima dessa musculatura. Quem não sabe nem como movimentá-la tem mais dificuldade de corrigir um problema quando ele surge.
E aqui existe uma surpresa. Ele estima que pelo menos metade das pessoas que acham que sabem contrair o assoalho pélvico não sabe. Numa das lives, uma espectadora contou que treinava sozinha em casa, certa de que fazia direito, e descobriu na primeira consulta que não estava nem apertando nem relaxando.
Outro ponto é que nem tudo é contrair. O aperta e solta que circula na internet trata o assunto como se força fosse a única qualidade que importa. Contrair demais também pode trazer problema, e saber soltar a musculatura é tão necessário quanto saber fechá-la. Só uma avaliação mostra de qual dos dois você precisa mais.
Os erros do dia a dia que ninguém percebe
Parte da consulta preventiva é conversa sobre rotina. O Dr. Gustavo diz que muita gente faz coisa errada todos os dias sem saber, e que são esses hábitos, repetidos por anos, que abrem caminho para as queixas. Alguns que ele costuma checar:
- Fazer xixi sem sentar de verdade no vaso. É preciso apoiar todo o peso do corpo para a musculatura conseguir relaxar. Ficar meio agachada, sem encostar, atrapalha esse relaxamento.
- Não saber quantas vezes vai ao banheiro. Ele considera normal uma média de seis a sete idas por dia. Muito mais do que isso merece atenção.
- Não ter ideia de quanto xixi sai de cada vez nem de como distribui a água ao longo do dia.
- Copiar exercícios da internet sem saber se está contraindo o músculo certo.
Homem também precisa
O recado vale para os dois. O Dr. Gustavo costuma dizer que todo mundo, homem ou mulher, vai precisar de fisioterapia pélvica em algum momento da vida. A diferença é que o homem tende a procurar ajuda só no limite, quando não aguenta mais. Ele mesmo se inclui na crítica e brinca que teimosia demais atrapalha.
Ele conta que sempre atendeu mais mulheres, mas que os homens começaram a se cuidar mais e a aparecer mais no consultório. Chegar antes do limite costuma deixar o caminho mais simples, para eles e para elas.
Quando procurar um fisioterapeuta pélvico
Se você não tem queixa nenhuma, a hora é quando você decidir se conhecer. Uma avaliação já mostra como está a sua musculatura e o que manter em casa, e muitas vezes não é preciso um tratamento longo depois dela. Faz ainda mais sentido se você já passou dos 30 ou nunca soube ao certo se contrai direito.
Agora, se você já percebe uma vontade de urinar que chega de repente, um escape de vez em quando ou dor na relação, isso não é mais prevenção. Mesmo leve, é um sinal de que algo já está acontecendo, e vale marcar sem esperar piorar.
Não é preciso pedido médico. O Dr. Gustavo consegue orientar muita coisa em consulta online, mas ele mesmo avisa que a avaliação física é fundamental e só acontece presencialmente. Por isso, para um checkup, o ideal é ir a um consultório.



