Por que a urina escapa depois da cirurgia
Perder urina depois da cirurgia de próstata acontece porque a cirurgia mexe numa região colada aos músculos que seguram o xixi, e a fisioterapia pélvica é a parte do cuidado que trabalha esses músculos para que eles voltem a funcionar.
A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz que fica no meio da pelve, logo abaixo da bexiga. A uretra, o canal por onde sai a urina, passa por dentro dela. Quando há um câncer de próstata, um tratamento frequente é a prostatectomia radical, que é a retirada total da glândula.
Para tratar o câncer com segurança, o cirurgião costuma retirar também uma margem de tecido saudável em volta da próstata. Bem ali ao lado estão a bexiga e o assoalho pélvico. Por isso, depois que a sonda é retirada, perder urina é muito comum. Não é falha de ninguém, é consequência da própria cirurgia.
Cada corpo reage de um jeito. Alguns homens vão recuperando o controle aos poucos, e outros continuam perdendo urina. É nessa situação que entra o fisioterapeuta pélvico.
O assoalho pélvico masculino, o músculo que segura o xixi
Homem também tem assoalho pélvico. É um conjunto de músculos na base da pelve, como o chão de uma casa, que sustenta a bexiga e o intestino. A uretra atravessa essa musculatura.
Pense numa situação comum. Você está na rua, com vontade de urinar, e precisa segurar. O que você faz? Contrai uma musculatura por dentro, e no homem dá para sentir até o ânus apertar. É o assoalho pélvico fechando a saída da urina. Depois da cirurgia, esses músculos podem ficar traumatizados e enfraquecidos, e esse fechamento deixa de funcionar como antes.
Dá para localizar a região por fora. É a pele entre o saco escrotal e o ânus, aquela que tem um risquinho no meio. O músculo fica por dentro, por isso não se vê. Só se sente.
“Quando o homem faz cirurgia de próstata, esse músculo está tão debilitado que ele não consegue nem movimentar essa musculatura. Como é que você vai pedir para ele fazer exercício em casa?”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal
Como é a avaliação
Fisioterapia pélvica não é aperta e solta. Antes de qualquer exercício, é preciso saber como está o seu músculo, e isso começa por uma conversa longa sobre a cirurgia, o que mudou desde então, os remédios que você usa e a sua rotina.
Depois vem a avaliação física. Como o assoalho pélvico é interno, no homem ela é feita por toque anal. Ela só acontece com a sua permissão, é explicada antes, tem termo de consentimento e pode ficar para outro dia se você não se sentir à vontade.
Muitos homens chegam desanimados, cansados de usar fralda e sem saber a quem recorrer. A consulta é um espaço para falar disso com calma, sem julgamento.
Biofeedback e eletroestimulação para acordar o músculo
Logo depois da cirurgia, muitos homens não conseguem nem mexer essa musculatura. Não adianta pedir exercício em casa para um músculo que ainda não responde. Primeiro ele precisa ser ativado, e para isso o Dr. Gustavo usa dois recursos.
- Biofeedback. É um aparelho que mostra, em luzes ou números, o que o músculo está fazendo. Como ninguém enxerga o assoalho pélvico, o aparelho torna a contração visível e você entende o que precisa fazer.
- Eletroestimulação. São pequenos estímulos elétricos que ajudam o músculo a contrair e a acordar. Pode ser feita com eletrodos colados na pele do períneo, a região entre o saco escrotal e o ânus, ou com uma sonda colocada no canal anal, mais perto do músculo. Não é choque de tomada, e a intensidade respeita o que você tolera.
Depois de acordar, treinar
Com o músculo respondendo, vem o treino. Você aprende a contrair na hora certa e a ganhar força, mobilidade e coordenação. Aí sim entram os exercícios para fazer em casa, que precisam virar rotina, como escovar os dentes.
A mesma cirurgia pode afetar a ereção, porque passa perto dos nervos e vasos que levam sangue ao pênis. A fisioterapia pélvica cuida disso também, e o assunto pode ser conversado na mesma avaliação.
Sobre quando começar, não existe uma data igual para todos, e o momento deve ser combinado com o seu urologista, que acompanha a recuperação da cirurgia. Se o escape continua e está atrapalhando a sua vida, não deixe a situação se arrastar. Muitos homens deixam de sair de casa e de encontrar os amigos por medo de perder urina.
Quando procurar um fisioterapeuta pélvico
Procure uma avaliação se, depois da cirurgia de próstata:
- Você ainda perde urina ao tossir, espirrar, levantar da cadeira ou fazer esforço
- Continua precisando de fralda ou absorvente
- Não consegue segurar quando a vontade vem
- Deixou de sair ou de fazer coisas de que gostava por medo de escape
- Notou mudança na ereção



