Início › Blog › Incontinência fecal tem tratamento?

Incontinência fecal tem tratamento?

Tem. Na maioria dos casos a perda de fezes está ligada à musculatura do assoalho pélvico, e a fisioterapia pélvica trabalha exatamente esse músculo. O primeiro passo é uma avaliação presencial para entender por que as fezes estão escapando.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

Este artigo vem da aula em vídeoAssistir à aula

Incontinência fecal tem tratamento?

Tem tratamento, e a fisioterapia pélvica faz parte dele. Incontinência fecal é a perda de fezes sem querer. O Dr. Gustavo explica que, na grande maioria dos casos, a origem é muscular: uma fraqueza do assoalho pélvico, o conjunto de músculos que fica na base da pelve e sustenta a uretra, o ânus, a bexiga, o útero e o intestino.

Dentro desse conjunto, ele destaca a musculatura profunda, chamada elevador do ânus. Quando ela perde força, segurar as fezes fica mais difícil. Como músculo responde a treino, existe o que fazer. O que muda de uma pessoa para outra é a causa, e por isso tudo começa pela avaliação.

Sujar a roupa íntima não é normal

Muita gente imagina a incontinência fecal como aquela perda grande, de uma pessoa bem idosa que usa fralda. Ela pode ser bem menor do que isso. Aquela marca na calcinha ou na cueca, que o Dr. Gustavo chama de borrinha de café, já é perda de fezes.

Ele conta que homens e mulheres convivem com isso por anos e dizem que já se acostumaram. O nome é incontinência anal, e ela merece cuidado. O assunto ainda é um tabu, e é esse silêncio que faz a pessoa demorar a buscar ajuda.

“Tem muita mulher, muito homem que perde fezes e acha normal. Isso é uma incontinência, que a gente chama de incontinência anal. Tem que tratar.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

Por que é menos comum que a perda de xixi

A perda de urina é bem mais frequente do que a de fezes, e a explicação é anatômica. A musculatura que protege o ânus é mais profunda e mais forte do que a que protege a saída do xixi. O corpo tem mais condição de segurar as fezes do que a urina.

Por isso o mais comum é a pessoa primeiro perder xixi e só depois, se a fraqueza aumentar muito, perder fezes também. Mas não é regra. O Dr. Gustavo já atendeu pessoas com incontinência fecal que nunca tiveram perda de urina. Nesses casos, costuma haver uma causa específica na região do ânus.

A rolha: quando o intestino preso faz as fezes escaparem

Parece contraditório, mas uma das causas comuns de incontinência fecal é o intestino preso, que tem o nome técnico de constipação. O Dr. Gustavo usa a imagem de uma rolha. As fezes ficam paradas e endurecidas no final do canal anal, como uma rolha que não sai. Só que o intestino continua trabalhando lá em cima, e o que chega depois vai transbordando pelos lados.

Isso pode acontecer junto com o anismo, que é uma falta de coordenação do músculo: na hora de evacuar ele aperta em vez de relaxar, a pessoa não esvazia direito e a rolha se forma. E quem tem intestino preso costuma fazer muita força no banheiro. Essa força em excesso, repetida por anos, contribui para a flacidez de toda a região.

Existem outras causas, que precisam ser identificadas:

  • Lesão do músculo que fecha o ânus no parto vaginal, quando o corte ou a laceração chega até ele
  • Síndrome do intestino irritável
  • Doenças neurológicas que afetam o controle do intestino
  • Fraqueza importante do assoalho pélvico, que pode vir junto com a perda de urina

Como é a avaliação

Antes de qualquer exercício, o Dr. Gustavo quer entender a rotina. Ele pergunta sobre a alimentação, quanta água você bebe e como bebe, em que posição você evacua, há quanto tempo a perda acontece e se começou depois de algum acontecimento, como um acidente ou uma cirurgia.

Depois vem a avaliação física, feita na região anal, que mostra como a musculatura está. É ela que diz se há fraqueza, tensão ou falta de coordenação. Por depender desse exame e do acompanhamento do músculo, o tratamento da incontinência fecal é presencial.

Com a causa identificada, o trabalho reúne o treino da musculatura e o ajuste dos hábitos. Ele lembra que a constipação também é tratada pela fisioterapia pélvica, em conjunto com o acompanhamento médico e de nutricionista.

Operei e continuo perdendo fezes

Uma pergunta que apareceu nas lives foi a de quem operou um prolapso de reto, que é a descida do reto, e seguiu com a perda de fezes. O Dr. Gustavo explica que a cirurgia reposiciona o que desceu, mas a musculatura que sustenta o reto continua do jeito que estava. Se ela era fraca antes, segue fraca depois.

Por isso a fisioterapia pélvica tem lugar antes ou depois de uma cirurgia. A indicação de operar e o momento de começar os exercícios depois da operação são decisões para tomar com o seu médico.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Procure avaliação se você percebe marcas de fezes na roupa íntima, mesmo pequenas e mesmo de vez em quando. Procure também se não consegue segurar gases ou fezes até chegar ao banheiro, ou se passa dias sem evacuar e depois tem escapes. O Dr. Gustavo considera que ficar mais de dois dias sem ir ao banheiro já merece investigação.

Não é preciso pedido médico para marcar. A primeira consulta é uma conversa sobre a sua rotina e os seus sintomas, e a avaliação física só acontece com a sua permissão. O acompanhamento com o seu médico segue normalmente, em paralelo.

Dúvidas sobre este tema

Pessoa virgem com incontinência fecal pode fazer fisioterapia pélvica?

Pode. A virgindade não muda a indicação, porque o que se avalia é como a musculatura funciona. Na incontinência fecal a avaliação costuma ser feita na região anal, e não necessariamente no canal vaginal. Tudo é combinado antes com a paciente.

Faço fisioterapia para incontinência fecal e comecei a sentir dor anal. O que pode ser?

Quem tem um músculo fraco também pode ter tensão nele. Exercício em excesso aumenta essa tensão, e músculo tenso pode doer. Converse com o seu fisioterapeuta sobre a quantidade de exercícios e sobre a liberação miofascial, uma massagem que solta a musculatura.

Beber mais água ajuda o intestino a funcionar?

Muitas vezes o intestino preso é falta de água. O Dr. Gustavo usa como referência cerca de 30 ml por quilo de peso ao dia, bebidos aos poucos e não de uma vez. Beber mais também aumenta as idas ao banheiro para urinar, então a quantidade é ajustada caso a caso.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

Agende sua avaliação

Preencha e a conversa abre direto no WhatsApp do Dr. Gustavo. É ele mesmo quem responde.

Consultório

Rua Borges Lagoa, 1065, conjunto 47
Vila Clementino, São Paulo
Perto do metrô e do Parque Ibirapuera

Horário

Segunda a sexta, das 8h às 18h
Sábado, das 9h às 15h

Atendimento

Particular, individual, com relatório para reembolso do plano.

Para chamar o Dr. Gustavo, use o WhatsApp (11) 98257-7668.