A menopausa enfraquece o que segura o xixi
A perda de urina aparece na menopausa porque a queda do estrogênio atinge justamente as estruturas que seguram o xixi, os músculos do assoalho pélvico e a parede da uretra, o canal por onde a urina sai. Com menos hormônio, os dois perdem firmeza.
O Dr. Gustavo faz uma ressalva importante. Nem toda mulher na menopausa perde urina. Essa fase favorece a perda, mas não a torna obrigatória. E quando ela aparece, tem explicação e tem o que fazer.
Se o seu incômodo maior é secura e dor na relação, esse assunto está no artigo sobre ressecamento vaginal na menopausa. Aqui o foco é o xixi que escapa.
Músculos que dependem do estrogênio
O assoalho pélvico é o conjunto de músculos que forma o chão da pelve. Ele tem duas funções principais. Sustenta a bexiga, o útero e o intestino, e fecha a saída da urina e das fezes, como uma cinta.
Esses músculos são o que o Dr. Gustavo chama de estrogênio-dependentes. Quando o hormônio cai, eles perdem força e sustentação e ficam mais flácidos. Ao mesmo tempo, o envelhecimento natural tira massa muscular do corpo inteiro, e o assoalho pélvico não fica de fora. Essa perda de massa e de força muscular tem nome, sarcopenia, e ele vê isso com muita frequência em mulheres depois da menopausa.
Um músculo mais fraco fecha pior a saída da urina. Quando a barriga faz força, ao tossir, espirrar ou levantar, a pressão vence o fechamento e o xixi escapa. Se esse enfraquecimento continua por muito tempo, a bexiga também pode perder sustentação e descer, o que é conhecido como bexiga baixa.
“Principalmente após a menopausa, elas começam a ter uma fragilidade muscular muito importante, que a gente chama de sarcopenia. E aí essa musculatura vai perdendo massa muscular, vai perdendo força.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal
A uretra também muda
O músculo não trabalha sozinho. Uma parte da continência, que é a capacidade de segurar o xixi, vem da própria parede da uretra. Ela tem colágeno e elastina, fibras que ajudam o canal a ficar bem fechado. O Dr. Gustavo chama isso de fator intrínseco da uretra.
Com a queda do estrogênio e a idade, o colágeno diminui e a mucosa, que é a camada fina que reveste a uretra e a vagina, fica mais fina e mais frágil. O canal perde um pouco da vedação natural, e isso soma com a fraqueza do músculo.
É aqui que entram aparelhos como laser e radiofrequência, que estimulam colágeno e elastina na mucosa. Eles podem ajudar o tecido, mas não chegam ao músculo. E toda incontinência urinária tem uma parte muscular. Por isso esses recursos entram como apoio, nunca no lugar do treino, como explicado no artigo sobre laser íntimo e incontinência.
Que tipo de perda é a sua
Na menopausa podem aparecer os dois tipos principais de perda de urina, às vezes juntos.
- Perda de esforço, quando escapa ao tossir, espirrar, rir, pegar peso ou levantar da cadeira
- Perda de urgência, quando a vontade vem de repente e o xixi escapa antes de chegar ao banheiro
- Perda mista, quando acontecem as duas coisas
Não é coisa da idade
Muitas mulheres acham que perder xixi faz parte de envelhecer, porque a mãe e a avó também perdiam. Ser comum não quer dizer ser normal. Perder urina, mesmo que seja uma gotinha, não é normal em idade nenhuma.
A boa notícia é que músculo se treina em qualquer fase da vida. O Dr. Gustavo costuma dizer que não existe comprimido para músculo, e que músculo é malhação. Muitas mulheres nessa fase nem sentem mais a contração, e por isso ele usa recursos como a eletroestimulação, um estímulo elétrico leve que ajuda a pessoa a perceber e ativar a musculatura.
Outro ponto desta fase é que a infecção urinária fica mais frequente, porque a região fica mais frágil. Se a perda vem com ardência ou dor para urinar, o primeiro passo é o exame de urina com o médico. Se precisar de tratamento hormonal, quem avalia e prescreve é o seu ginecologista.
Quando procurar um fisioterapeuta pélvico
Procure avaliação assim que perceber que o xixi começou a escapar, seja no esforço, seja com a vontade repentina. Também vale procurar se você começou a usar protetor diário por causa da urina.
A fisioterapia pélvica não precisa de pedido médico e pode andar junto com o acompanhamento do seu ginecologista. A primeira consulta é uma conversa sobre a sua história. O exame de toque mostra como está a força do músculo, é explicado antes e só acontece com a sua permissão.



