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Infecção urinária de repetição: o que o assoalho pélvico tem a ver

O assoalho pélvico tem a ver, sim. Quando esse músculo não relaxa na hora do xixi, a bexiga não esvazia por completo, e quando ele está fraco e a urina escapa, a umidade favorece as bactérias. A infecção em si é tratada pelo médico, e a fisioterapia pélvica cuida do que faz ela voltar.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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O músculo pode estar por trás das infecções que voltam

O assoalho pélvico tem relação com a infecção urinária de repetição de duas formas. Quando está tenso demais, ele não deixa a bexiga esvaziar por completo, e quando está fraco, deixa escapar urina, que fica úmida na calcinha. Nos dois casos, a bactéria encontra um ambiente favorável.

Antes de tudo, um ponto importante. O Dr. Gustavo é fisioterapeuta, não médico, e ele faz questão de dizer isso. A infecção urinária é diagnosticada e tratada pelo médico. O que a fisioterapia pélvica faz é olhar para o corpo de quem já tratou várias vezes, seguiu tudo certinho, e mesmo assim a infecção volta.

Por que a mulher tem mais infecção urinária

Infecção urinária é a presença de bactéria na urina, na maioria das vezes vinda do intestino. Ela pode atingir a uretra, que é o canal por onde sai o xixi, a bexiga e até os rins.

A mulher é muito mais atingida por uma questão de anatomia. A uretra feminina é curta, tem poucos centímetros, então fica mais fácil a bactéria subir até a bexiga. No homem, a uretra é bem mais longa, porque percorre o pênis. Por isso, quando um homem tem infecção urinária, é sinal de que vale investigar a próstata e a saúde em geral.

Na menopausa o risco aumenta, porque a queda do estrogênio deixa as paredes da região mais fracas e facilita a subida da bactéria. Pedras nos rins também favorecem infecções, em homens e mulheres, porque ferem o caminho da urina.

“Muitas vezes esse xixi trava e sobra. E aí a bexiga fica com xixi lá dentro. A bexiga não esvazia por completo.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

Bexiga que não esvazia e urina que escapa

Para o xixi sair bem, o assoalho pélvico precisa relaxar e abrir a passagem. Muita mulher não consegue. Ela faz xixi com pressa, tensa, ou nem senta no vaso por medo ou nojo. Agachada no ar, o músculo não relaxa. A passagem fica meio fechada, o xixi sai travado e uma parte fica dentro da bexiga. Esse resto de urina parada é o que os especialistas chamam de resíduo pós-miccional, e ele favorece a infecção.

O Dr. Gustavo lembra que, em muitos casos, a infecção não vem de um músculo fraco, e sim de um músculo tenso demais. Por isso fortalecer por conta própria, sem avaliação, pode não ajudar. Às vezes o músculo já está tão travado que tentar relaxar sozinha não basta.

O outro lado é a perda de urina. Se escapa xixi ao longo do dia, ele fica na calcinha, quente e úmido, e é desse ambiente que a bactéria mais gosta. Enquanto a incontinência não é tratada, as infecções tendem a continuar voltando.

Hábitos que ajudam a prevenir

Muitas infecções de repetição têm relação com hábitos simples do dia a dia. Estas são as orientações que o Dr. Gustavo passa.

  • Sente no vaso e faça xixi com calma, sem pressa, para a bexiga esvaziar inteira
  • Limpe-se sempre da frente para trás, levando o papel em direção às costas, nunca para a vagina
  • Depois do cocô, o ideal é água e sabão ou papel higiênico, e não lenço umedecido
  • Depois do xixi não é preciso lavar a região toda vez, porque isso remove a flora que protege
  • Beba água aos poucos ao longo do dia, e não um litro de uma vez
  • Prefira calcinha de algodão e, se puder, durma sem calcinha
  • Se você perde urina, trate a incontinência

Infecção é com o médico

Os sinais mais comuns de infecção urinária são ardência e dor para urinar, dificuldade para fazer xixi e vontade urgente de ir ao banheiro muitas vezes. Febre ou sangue na urina pedem pronto-socorro.

Para saber se é infecção, o exame é a urocultura, que identifica a bactéria. Isso importa porque o remédio certo depende da bactéria que está ali. Não use a sobra de um remédio de uma infecção antiga. Quem escolhe e prescreve a medicação é o médico, e o tratamento deve ir até o fim, todos os dias.

Vale saber também que a bexiga hiperativa dá sintomas parecidos, com urgência e idas frequentes ao banheiro. Se o exame não mostra infecção e os sintomas continuam, o problema pode ser outro, como explicado no artigo sobre incontinência de urgência.

O Dr. Gustavo cita estudos que apontam o cranberry, uma frutinha vermelha, como um possível aliado na prevenção. Ele não é tratamento e não substitui a consulta. Se quiser usar, converse antes com o seu médico.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Procure avaliação se você já tratou a infecção várias vezes, seguiu os hábitos acima e ela continua voltando. Também vale procurar se você sente que o xixi não sai todo, se precisa fazer força para urinar ou se perde urina.

A fisioterapia pélvica não precisa de pedido médico e anda junto com o acompanhamento do seu médico. Na primeira consulta, o Dr. Gustavo conversa sobre a sua história, e o exame de toque, que mostra se o músculo está tenso ou fraco, só acontece com a sua permissão.

Dúvidas sobre este tema

Segurar o xixi causa infecção urinária?

Segurar na medida certa não faz mal, porque a bexiga foi feita para guardar urina. O que favorece a infecção é passar muitas horas sem urinar, quase sempre junto com pouca água. Já durante uma infecção, não se deve segurar.

Fisioterapia pélvica trata infecção urinária?

Não. A infecção em si é tratada pelo médico, com o remédio indicado depois do exame de urina. A fisioterapia pélvica cuida do que pode estar fazendo a infecção voltar, como um músculo que não relaxa ou uma perda de urina.

Lavar a região depois de todo xixi ajuda a evitar infecção?

Não. Lavar toda vez remove a flora vaginal, que existe justamente para proteger a região. Depois do xixi, o papel higiênico basta. Depois do cocô, água e sabão é o ideal.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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