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Intestino preso pode ser problema no assoalho pélvico?

Pode, sim. Muitas vezes o intestino funciona, mas o músculo do ânus, que faz parte do assoalho pélvico, aperta na hora em que deveria relaxar, e a força para evacuar não adianta.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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Quando o problema está na saída, e não no intestino

Sim, o intestino preso pode ter origem no assoalho pélvico, o conjunto de músculos que fica no fundo da pelve, como o chão de uma casa. O nome técnico do intestino preso é constipação, e o Dr. Gustavo explica que ela só é considerada um problema real quando a pessoa passa mais de 3 dias sem ir ao banheiro. Um fim de semana com a rotina bagunçada não conta.

A primeira coisa que todo mundo pensa é na dieta: pouca fibra, pouca água, pouca atividade física. Isso conta muito. O intestino tem um movimento natural, chamado peristaltismo, que empurra as fezes, e esses hábitos ajudam esse movimento. Mas tem gente que faz tudo certo e, mesmo assim, senta no vaso e precisa fazer muita força. Para ele, esse é um sinal claro de que a dificuldade está no final do caminho, nos músculos que envolvem o ânus.

O músculo que aperta na hora de soltar

Ao redor do ânus existe um músculo forte, que fecha a saída para você conseguir segurar. Na hora de evacuar, ele precisa relaxar. Em algumas pessoas acontece o contrário: na hora de soltar, ele aperta. Esse problema tem dois nomes técnicos, anismo e contração paradoxal. Paradoxal quer dizer que o músculo faz o oposto do que deveria.

Com o músculo fechando a passagem, a pessoa empurra cada vez mais, por dias, meses, às vezes anos. Esse esforço repetido faz as veias do final do intestino aumentarem de tamanho, que são as hemorroidas, e as fezes duras podem causar fissuras, que são pequenos cortes no ânus. A dor faz o músculo se fechar ainda mais, e o ciclo continua.

O estresse também entra nessa conta. Quando a gente está tenso, todos os músculos do corpo se contraem, e os do ânus também. Por isso o Dr. Gustavo repete que músculo tenso não é músculo forte. Se o músculo já está rígido e você faz exercício de contrair mais, o sintoma pode piorar. É por isso que exercício tirado da internet, sem avaliação, às vezes deixa o intestino mais preso.

“Ele garroteia o ânus e comprime o ânus. E aí não adianta, você pode fazer uma força absurda que você não vai conseguir defecar direito.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

Segurar o cocô faz mal?

Faz. A vontade de evacuar é um reflexo do corpo, e quem segura essa vontade com frequência vai enfraquecendo o aviso. A vontade pode voltar só no dia seguinte. Enquanto isso, as fezes ficam paradas, ressecam e saem com dor, o que deixa o músculo mais tenso para a próxima vez.

Muita gente só consegue fazer cocô em casa e passa o dia segurando. A orientação dele é direta: sentiu vontade, dê um jeito de ir ao banheiro, esteja numa reunião, no trabalho ou na rua.

Como o biofeedback ensina o músculo a relaxar

A maioria das pessoas não sabe onde fica esse músculo, e não dá para ver o assoalho pélvico nem com um espelho. Por isso a fisioterapia pélvica usa o biofeedback, um aparelho que mostra o que o músculo está fazendo. Feedback quer dizer retorno: você contrai ou relaxa e vê o resultado na hora.

Na versão anal, uma sonda pequena e macia, com preservativo e bastante gel, é colocada no ânus e inflada como uma bolinha. Quando o músculo aperta, uma luz sobe no aparelho. Assim fica fácil mostrar onde a pessoa está fazendo força no lugar errado e treinar o relaxamento. Tudo é explicado antes e só é feito com a sua permissão.

Junto com o aparelho entram outros recursos, como a eletroestimulação, um estímulo elétrico leve no músculo, e os exercícios para casa. Ele insiste que esses exercícios precisam virar hábito, como escovar os dentes.

Posição e respiração no banheiro

Na internet há dica de todo tipo: chá, banquinho, um jeito de sentar. O Dr. Gustavo observa que muitos pacientes não sabem a posição correta para evacuar, não sabem como respirar nessa hora e também não sabem como tomar água. Esses ajustes mudam de pessoa para pessoa, por isso a posição e a respiração são ensinadas na consulta, depois da avaliação, e não por receita pronta.

A água merece atenção à parte. Ele lembra que o intestino precisa de pelo menos 1 litro de água por dia para funcionar bem, e que o ideal é beber aos poucos ao longo do dia, e não tudo de uma vez.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Vale procurar ajuda se você faz muita força para evacuar mesmo cuidando da alimentação e da água, se sente que não sai tudo, se passa vários dias sem ir ao banheiro ou se já tem hemorroidas ou fissuras de tanto esforço. Sangue vivo nas fezes, dor constante ou secreção pedem antes uma avaliação médica, de preferência com um coloproctologista.

Não é preciso pedido médico para começar. A primeira consulta é uma conversa sobre a sua rotina e os seus sintomas. A avaliação de toque é necessária para entender como o músculo está, mas só acontece com a sua permissão e pode ficar para outro dia.

  • Faço muita força no vaso e parece que não sai tudo
  • Tomo água, como fibra e o intestino continua preso
  • Só consigo evacuar em casa e acabo segurando
  • Dói para evacuar e às vezes sangra

Dúvidas sobre este tema

Quantos dias sem evacuar já é intestino preso?

Segundo o Dr. Gustavo, a constipação é considerada quando a pessoa passa mais de 3 dias sem ir ao banheiro. Mas fazer muita força toda vez, mesmo indo todo dia, também merece avaliação.

Estresse pode prender o intestino?

Pode. Quando estamos tensos, os músculos do corpo se contraem, inclusive os do ânus. O músculo fechado dificulta a saída das fezes e pode causar dor.

Fezes finas têm relação com o assoalho pélvico?

Podem ter. Ele explica que fezes finas muitas vezes estão ligadas a um problema na parte final do reto, principalmente muscular. Vale investigar com o médico e com o fisioterapeuta pélvico.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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