O que é a neuralgia do pudendo
Neuralgia do pudendo é uma dor que nasce de uma alteração no nervo pudendo. Neuralgia quer dizer dor de nervo. O pudendo é o nervo que vai para toda a região genital e para o ânus, e é ele que leva a sensibilidade dessa área.
Esse nervo passa por um caminho estreito dentro da pelve, chamado canal de Alcock, cercado de músculos. O Dr. Gustavo mostra isso com o modelo da pelve na mão: em volta do nervo é tudo músculo. Quando esses músculos ficam tensos demais, ou quando a região sofre uma lesão, o nervo pode ser afetado e a dor aparece.
É uma condição considerada mais rara. Por isso mesmo, muita gente passa um bom tempo achando que a dor é de outro problema da região antes de chegar a essa investigação.
Como ela costuma aparecer
A dor da neuralgia do pudendo costuma ser constante e difícil de aliviar. Ela pode aparecer na região do ânus, no períneo, que é a região entre os genitais e o ânus, e na região genital.
Como outras condições doem no mesmo lugar, o primeiro passo é o médico descartar causas como abscesso, fístula, trombose e hemorroida, que pedem tratamento médico. Só depois faz sentido pensar no nervo e no músculo. Sinais que pedem atenção:
- Dor constante no ânus, no períneo ou nos genitais.
- Dor que começou depois de muito tempo sentado, por exemplo pedalando.
- Dor que surgiu depois de uma cirurgia na região.
- Sensibilidade da região diferente do que era antes.
“Na de compressão, a gente tenta descomprimir. Então, tem que tentar descobrir esse mecanismo.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal
Compressão ou trauma: duas origens diferentes
O Dr. Gustavo separa dois mecanismos, e essa separação muda o tratamento. Na compressão, o nervo fica apertado, geralmente porque os músculos em volta dele estão tensos demais. O nome técnico dessa tensão é hipertonia. No trauma, o nervo sofreu uma lesão, seja por pequenos traumas repetidos, seja por uma cirurgia na região.
Ele dá exemplos do dia a dia. Quem passa o dia sentado, como o ciclista no selim ou quem dirige muitas horas, vai pressionando e tensionando essa musculatura. Com o tempo, esses microtraumas podem lesar o nervo. Ele também alerta que cirurgias na região, mesmo as pequenas, podem alterar a sensibilidade, e por isso não se deve mexer ali sem indicação médica.
Segundo ele, a compressão é a causa mais comum. No trauma, a lesão costuma ser mais grave e o caminho, mais difícil.
Como a fisioterapia pélvica atua
Como os mecanismos são diferentes, as técnicas também são. O primeiro trabalho é descobrir, na avaliação, qual é o mecanismo daquele caso.
Na compressão, a ideia é descomprimir o nervo, soltando a musculatura em volta dele. Para isso, o Dr. Gustavo usa muito a liberação miofascial, uma pressão lenta e controlada com o dedo para soltar o músculo e a fáscia, a película que envolve o músculo, e a massagem perineal, feita na região do períneo. Junto vêm orientações para o dia a dia, porque de pouco adianta soltar o músculo na sessão e voltar a tensioná-lo da mesma forma o resto da semana.
No trauma, a eletroterapia tem papel central. Ela usa estímulos elétricos numa intensidade que o paciente tolera, sempre conversando sobre o que ele sente. O Dr. Gustavo é direto: no caso traumático, a elétrica é fundamental.
Um caso difícil, que pede paciência
O Dr. Gustavo não esconde: a neuralgia do pudendo é difícil de tratar. Cada caso é um caso, o tempo de tratamento varia muito e não dá para definir um número de sessões de antemão. Casos assim pedem paciência e acompanhamento próximo.
Também pedem trabalho em conjunto. O médico investiga, descarta outras causas e, quando necessário, prescreve a medicação para a dor. O fisioterapeuta pélvico cuida da parte muscular e do estímulo ao nervo. Se a sua dor dura meses e você não sabe a origem, o artigo sobre dor pélvica crônica explica o papel da tensão muscular, e o artigo sobre dor no ânus mostra as causas que o médico precisa ver primeiro.
Quando procurar um fisioterapeuta pélvico
Se você tem dor constante no ânus, no períneo ou na região genital, principalmente depois de muito tempo sentado ou de uma cirurgia na região, e as causas médicas já foram investigadas, vale uma avaliação com um fisioterapeuta pélvico. Não precisa de pedido médico.
A primeira consulta é uma conversa: quando a dor começou, o que piora, o que alivia. O exame com toque só acontece com a sua permissão. É a partir dele que dá para entender se há tensão muscular envolvida e qual caminho faz sentido para você.



