Fisioterapia ou cirurgia: por onde começar
Comece pela fisioterapia pélvica. Perder xixi ao espirrar, tossir ou pegar peso tem nome, incontinência urinária de esforço, e para ela as diretrizes internacionais indicam o tratamento conservador como primeira escolha. Tratamento conservador, aqui, quer dizer fisioterapia pélvica.
O Dr. Gustavo faz questão de dizer que essa não é uma opinião dele por ser fisioterapeuta. Está nos guidelines, que são os documentos que orientam os profissionais de saúde, nos livros e nos artigos científicos. A cirurgia existe e tem o seu lugar, mas ela vem depois, e a decisão de operar é sempre tomada com o médico.
Por que a fisioterapia vem primeiro
Porque o mecanismo da perda de urina é, na maior parte das vezes, muscular. Quem fecha a saída do xixi na hora do espirro é o assoalho pélvico, o conjunto de músculos que fica na base da pelve. Quando ele perde força, a pressão da barriga vence e o xixi escapa.
Outro ponto que ele lembra nas lives é que quase ninguém começa perdendo muito. A maioria começa devagar, com pouca quantidade, e o quadro vai se agravando quando nada é feito. É justamente nessa fase, leve ou moderada, que o treino orientado do músculo costuma ser suficiente.
Tem ainda a questão da pressa. Muita gente pensa na cirurgia por achar que ela é o caminho mais rápido. O Dr. Gustavo responde que rapidez não é o critério: quem quer cuidar logo do problema ganha mais marcando a avaliação do que esperando por uma operação.
“Se você perde xixi quando espirra, você tem uma incontinência de esforço. O tratamento de primeira escolha se chama fisioterapia pélvica.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal
Incontinência não é tudo igual
As pessoas costumam achar que perder xixi é tudo a mesma coisa. Existem tipos diferentes de incontinência urinária, com mecanismos diferentes, e cada um pede um cuidado. A perda no espirro é uma. A perda que vem com uma vontade repentina e forte é outra.
Por isso o primeiro passo é entender qual é a sua. Essa conversa inicial pode ser feita em consulta presencial ou online, e também com um fisioterapeuta pélvico da sua região. O que ele pede é que seja um especialista em pelve, e não um fisioterapeuta de outra área.
O que é uma fisioterapia bem feita
Antes de concluir que a fisioterapia não funcionou, vale conferir o que foi feito. Tem muita gente que passou por um tratamento só com o famoso choquinho, e choquinho sozinho não dá conta. Exercício copiado da internet também não entra nessa conta, porque sem avaliação ninguém sabe se o movimento está certo.
Se os três recursos abaixo foram bem feitos e a perda continua igual, alguma coisa precisa ser reavaliada. Ele aponta três possibilidades: o tratamento não foi completo, o diagnóstico precisa ser revisto ou o caso é mais grave do que parecia. O Dr. Gustavo chama esses recursos de tríade básica da fisioterapia pélvica:
- Biofeedback, o aparelho que mostra numa tela se você está contraindo o músculo certo
- Eletroestimulação, um estímulo elétrico leve que ajuda o músculo a responder
- Cinesioterapia, que são os exercícios, feitos no consultório e mantidos em casa
Quando a cirurgia entra na conversa
A cirurgia entra quando a fisioterapia pélvica bem conduzida não trouxe o resultado esperado, ou em situações específicas, como uma perda muito grave ou uma lesão do esfíncter, o músculo que funciona como a válvula da uretra. Para investigar isso, o médico pode pedir o exame de urodinâmica.
Se o seu médico indicou operar, o Dr. Gustavo sugere uma atitude simples: peça que ele explique por que a cirurgia está indicada no seu caso e quais são as alternativas. Todo profissional de saúde deve explicar o porquê e apresentar opções. Com essas respostas e uma avaliação do assoalho pélvico, você decide com mais segurança.
Ele também responde a uma dúvida comum: quem faz fisioterapia agora pode precisar operar mais tarde? Pode. Os músculos envelhecem junto com o resto do corpo, e um quadro bem controlado aos 50 anos pode voltar a incomodar anos depois. Ainda assim, ele lembra que toda cirurgia tem risco, como complicações e infecção. Quando é possível adiar, em geral vale adiar. E muitas pessoas que fazem a fisioterapia antes acabam não precisando da operação.
Se você operar, o músculo continua contando
A fisioterapia não sai de cena quando a cirurgia acontece. O Dr. Gustavo compara com o joelho: quem opera o ligamento cruzado não sai do hospital e esquece a perna. Depois vem o reforço da musculatura, para a articulação aguentar o dia a dia.
Com a cirurgia de incontinência é parecido. Depois da liberação do médico, o assoalho pélvico precisa ser fortalecido, para que você não fique se escorando só na cirurgia. O que fazer quando a perda volta depois de operar está no artigo Fiz cirurgia de incontinência e voltei a perder xixi, aqui no blog.
Quando procurar um fisioterapeuta pélvico
Procure avaliação se você perde xixi ao espirrar, tossir, rir ou pegar peso, mesmo que seja pouco. Procure também se recebeu indicação de cirurgia e quer entender como está a sua musculatura antes de decidir, ou se já faz fisioterapia há muito tempo sem perceber melhora.
Não é preciso pedido médico para marcar. A incontinência urinária pode ser acompanhada em consulta presencial ou online. Na avaliação, o fisioterapeuta pélvico identifica o tipo de perda e como o músculo está funcionando, e a partir daí o plano é combinado com você. Se a cirurgia fizer parte do caminho, ela é conversada com o seu médico.



