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Pessário resolve a bexiga caída?

Não resolve. O pessário sustenta a bexiga enquanto está no lugar e melhora a qualidade de vida, mas, quando é retirado, a bexiga desce de novo. Ele costuma ser considerado nos prolapsos mais avançados ou para quem não quer ou não pode operar, sempre com medida e orientação profissional.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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Pessário resolve a bexiga caída?

Não resolve. Essa foi a resposta do Dr. Gustavo a uma mulher que fez exatamente essa pergunta numa live: o pessário atenua o problema, mas não corrige. A função dele é sustentar. Enquanto está no lugar, segura a bexiga. Quando sai, ela desce de novo.

Bexiga caída, ou bexiga baixa, é a descida da bexiga para dentro do canal vaginal. Faz parte de um grupo de problemas chamado prolapso, que quer dizer queda de órgão. Nos graus mais avançados, a bexiga chega a aparecer para fora da vagina. Os antigos diziam que a mulher estava com a bexiga arriada, e a palavra descreve bem.

Isso não tira o valor do pessário. Como diz o Dr. Gustavo, não dá para viver com a bexiga para fora, e para algumas mulheres ele é a forma de voltar a ter conforto no dia a dia.

O que é o pessário e como ele funciona

O pessário é uma peça geralmente redonda, de plástico ou borracha, firme e ao mesmo tempo flexível. Ele é colocado dentro do canal vaginal e fica ali, servindo de apoio. O Dr. Gustavo lembra que a peça tem furos, e que sem eles a mulher não conseguiria fazer xixi.

Com o pessário, a bexiga é empurrada de volta para dentro e fica sustentada. O ponto que ele faz questão de esclarecer é que essa posição depende da peça. Se a bexiga caiu, ela continua caída. O pessário segura, mas não devolve ao corpo a capacidade de segurar sozinho.

“A função do pessário é exatamente essa de sustentação. Ele não vai corrigir o problema.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

Para quem o pessário costuma ser considerado

Segundo o Dr. Gustavo, o pessário entra bem em duas situações. A primeira é a da mulher que não quer fazer a cirurgia de correção do prolapso. A segunda é a da mulher que não pode operar, por ter alguma condição de saúde que contraindica a cirurgia, como um problema no coração ou um diabetes descontrolado. Nesses casos não dá para operar, e também não dá para ficar sem fazer nada.

O grau do prolapso também conta. Numa live, uma mulher com bexiga baixa grau 2 perguntou se o pessário seria uma opção. Ele respondeu que, tecnicamente, o grau 2 não costuma ser indicação. O pessário é pensado para os graus 3 e 4, quando a bexiga já desceu muito, ou para quem não quer ou não pode operar.

A decisão entre pessário e cirurgia é tomada com o médico que acompanha você, olhando o seu grau, a sua saúde e o que você deseja.

Por que a medida precisa ser feita por profissional

Pessário não é tamanho único. Cada canal vaginal tem uma dimensão, e a peça precisa ser escolhida para o seu corpo. Quem tira essa medida, em geral, é a médica ou o médico ginecologista. Alguns fisioterapeutas pélvicos especializados nisso também fazem. O Dr. Gustavo conta com franqueza que atende mulheres que usam pessário, mas que não é ele quem faz a medida.

A medida certa faz diferença no dia a dia. Um pessário mal ajustado fica desencaixando lá dentro e incomoda. Ele também avisa que a peça não é para ficar no corpo 24 horas por dia, sem pausa. Como colocar, quando tirar e como cuidar são orientações que você recebe de quem ajustou o pessário, e que precisam ser seguidas.

O que o pessário não faz: cuidar do músculo

Para o Dr. Gustavo, a origem do prolapso é muscular. Os órgãos da pelve pesam, e todo esse peso se apoia no assoalho pélvico, a rede de músculos que fica embaixo da bexiga, do útero e do intestino. Os órgãos só caem quando esse músculo está flácido e enfraquecido. Na menopausa, com a queda dos hormônios, essa musculatura tende a perder força mais depressa.

O pessário trabalha no efeito, que é a queda. A causa, que é a fraqueza do músculo, continua lá. Por isso ele insiste que cuidar do assoalho pélvico não é só o aperta e solta e que o ideal é começar antes de a bexiga descer. E quem já usa pessário ou já operou continua tendo o que ganhar ao fortalecer essa musculatura com orientação.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Vale procurar avaliação se você sente peso na vagina, percebeu uma bola na entrada, recebeu o diagnóstico de bexiga baixa em qualquer grau, ou usa pessário e quer saber como está a sua musculatura. Não é preciso pedido médico.

No caso do prolapso, o atendimento do Dr. Gustavo é presencial, porque a avaliação depende do exame físico. Nas palavras dele, prolapso se avalia olhando e tocando. O exame só acontece com a sua permissão, e é a partir dele que se entende o grau da queda e o que o músculo ainda consegue fazer.

Dúvidas sobre este tema

Tenho prolapso. Preciso operar?

Depende do grau. O prolapso é classificado em quatro graus. Nos graus 1 e 2, o Dr. Gustavo explica que a fisioterapia pélvica é o tratamento de primeira escolha. Nos graus 3 e 4 pode haver indicação de cirurgia, que é uma decisão com o médico, e a fisioterapia continua importante mesmo para quem opera.

O que é perineoplastia anterior e posterior?

É o nome genérico de cirurgias que corrigem prolapsos. A anterior corrige a queda da bexiga e a posterior, a queda do intestino. Há também a correção da queda do útero. Cada cirurgia tem um nome específico, e a indicação é do médico.

Como saber se eu tenho prolapso?

Pela avaliação física ginecológica, com observação e toque. Segundo o Dr. Gustavo, essa é a forma mais simples de descobrir, e o ultrassom não é o método principal. Um prolapso muito leve pode passar despercebido.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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