Pilates e yoga ajudam, e ajudam bastante
Sim, pilates e yoga ajudam quem tem incontinência urinária, que é a perda involuntária de xixi. Eles não substituem a avaliação do assoalho pélvico, mas são ótimos parceiros do tratamento e, depois dele, uma excelente forma de manter o que você aprendeu.
O Dr. Gustavo é fã das duas práticas. Ele diz que adora o yoga, que dá uma consciência corporal enorme, e que usa algumas posturas do yoga no próprio trabalho de fisioterapia, porque combinam muito bem. Sobre o pilates, a frase dele é direta: prefere que a pessoa faça pilates do que não faça nada.
A pergunta, então, não é se essas práticas valem a pena. Valem. A pergunta é o que cada uma faz e o que fica com o fisioterapeuta pélvico.
O que pilates e yoga trazem para o seu corpo
Se movimentar já é um ganho para quem perde xixi. Além disso, as duas práticas trabalham pontos que conversam diretamente com o assoalho pélvico:
- Consciência corporal: perceber como você se mexe, respira e se posiciona
- Respiração: o diafragma, principal músculo da respiração, trabalha em parceria com o assoalho pélvico
- Postura e flexibilidade, que ajudam a pelve a funcionar melhor
- Core: os músculos que envolvem a barriga, como o abdômen profundo, que auxiliam a contração do assoalho pélvico
“Eu prefiro que a pessoa faça pilates do que não faça nada, mas o que eu realmente recomendo é que primeiro você passe no fisioterapeuta pélvico e depois continue com o seu pilates.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal
Core e assoalho pélvico: o que muda quando a perda já existe
O core é como um conjunto de quatro paredes ao redor da barriga: o diafragma em cima, o abdômen na frente, os músculos das costas atrás e o assoalho pélvico embaixo. Pilates e yoga fazem um trabalho muito bom nas três primeiras, e o abdômen bem trabalhado auxilia o assoalho pélvico. A palavra é essa: auxilia.
Quando a perda de xixi já está instalada, o que precisa ser trabalhado de forma específica é o próprio assoalho pélvico. É ele que fecha os esfíncteres, os pequenos anéis musculares que seguram o xixi. E esse músculo é dividido em camadas, cada uma com uma função, o que pede exercícios bem direcionados.
O Dr. Gustavo também lembra que, quanto mais leve e mais no começo é a perda, mais a consciência corporal pesa a favor. Quando a perda já acontece há anos, a prática em grupo sozinha costuma não dar conta, e é hora de olhar para o músculo de perto.
Por que a avaliação vem antes da aula
O assoalho pélvico é um músculo interno. Não dá para ver de fora se ele está contraindo, e a sensação engana. No consultório, o Dr. Gustavo vê com frequência pessoas que acham que estão contraindo e, na avaliação, o músculo quase não se mexe.
Por isso a fisioterapia pélvica é tão prática e tão manual. Com o toque, feito só com a sua permissão, ou com um aparelho de biofeedback, o fisioterapeuta confere se o músculo certo está trabalhando e ensina o movimento. Essa avaliação da região íntima é parte da fisioterapia pélvica, e não da aula de pilates ou de yoga, que tem outro foco.
Um cuidado vale para quem sente dor na relação ou tem vaginismo, quando os músculos da entrada da vagina se fecham sem querer. Nesses casos o músculo já está tenso, e muita contração de abdômen pode aumentar essa tensão. O ideal é passar pela avaliação primeiro e, depois, voltar para a aula com o que foi aprendido.
A ordem que funciona: avaliar, aprender e levar para a aula
O caminho que o Dr. Gustavo recomenda é simples. Primeiro, a avaliação com o fisioterapeuta pélvico, para entender por que o xixi escapa e aprender a usar o assoalho pélvico. Depois, continuar no pilates ou no yoga, ou começar, se você nunca fez. Ele próprio encaminha pacientes para o pilates depois da reabilitação, como forma de manutenção.
Assim, cada um faz o que faz de melhor. Você leva para a aula um músculo que já sabe trabalhar, e a aula ajuda a manter esse músculo ativo no dia a dia. Se você treina em academia, o artigo sobre academia e assoalho pélvico fala de agachamento, peso e respiração.
Quando procurar um fisioterapeuta pélvico
Se você perde xixi ao tossir, rir, pular ou fazer esforço, se sente vontade urgente de ir ao banheiro, ou se percebe que o xixi escapa justamente em alguns exercícios da aula, vale fazer uma avaliação. Não é preciso pedido médico, e você não precisa parar o pilates ou o yoga por isso.
Na primeira consulta, o Dr. Gustavo conversa com calma sobre a sua rotina, inclusive as atividades que você pratica. A ideia é que o tratamento e as aulas caminhem juntos.



