Não são a mesma coisa
Pompoarismo e fisioterapia pélvica não são iguais. As duas trabalham os mesmos músculos, os do assoalho pélvico, mas partem de lugares diferentes e têm objetivos diferentes.
O assoalho pélvico é o conjunto de músculos que fica na base da bacia, como o chão de uma casa. Ele sustenta a bexiga, o útero e o intestino, ajuda a segurar o xixi e o cocô e participa da vida sexual. Em mulheres e em homens.
O pompoarismo é uma prática muito antiga, de origem oriental, de treinar a contração desses músculos da região íntima. Com o tempo, ela ficou associada principalmente ao prazer e à conexão com o parceiro ou a parceira. A fisioterapia pélvica é uma especialidade da fisioterapia, uma profissão da saúde, que cuida de problemas urinários, intestinais e sexuais a partir de uma avaliação e de métodos estudados em pesquisa.
O ponto de partida é diferente
Esta é a diferença que o Dr. Gustavo considera a mais importante. O pompoarismo parte do princípio de que o seu músculo já funciona bem: que você sabe contrair, sabe relaxar, tem força, resistência e coordenação. A partir daí, a prática busca uma contração cada vez mais refinada.
Só que, no consultório, não é isso que ele encontra na maioria das pessoas. Muita gente não sabe contrair o músculo certo, e muita gente também não sabe relaxar. Tem mulher que nem sabe localizar com segurança onde fica a uretra, o canal vaginal e o clitóris, e é difícil comandar um músculo interno quando você ainda não conhece a própria anatomia.
A fisioterapia pélvica começa um passo antes. Ela olha como o músculo está, ensina do básico como contrair e como soltar e, quando é preciso, reabilita. Na comparação dele, a fisioterapia foi muito além, porque hoje se conhece a anatomia, a biomecânica e os efeitos de cada exercício de um jeito que não existia quando o pompoarismo surgiu.
“Pompoarismo e fisioterapia não são iguais. Basicamente porque a fisioterapia reabilita músculo, ensina tudo bonitinho.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal
Por que a avaliação vem antes
Sentir que está fazendo não é o mesmo que estar fazendo. Para saber se a contração é de verdade, alguém precisa verificar. Na fisioterapia pélvica, isso é feito na avaliação, com o toque, sempre com a sua permissão.
O Dr. Gustavo conta que recebe pacientes que já praticaram pompoarismo sozinhas e dizem que sabem fazer. Ele acha ótimo, porque já existe intimidade com o assunto. Mas quando pede a contração na avaliação, muitas vezes o músculo quase não se mexe.
A avaliação também mostra quando contrair não é o que o corpo precisa. Em quem tem dor na relação ou vaginismo, o músculo costuma estar tenso, e treinar contração pode piorar o quadro. Músculo tenso não é músculo forte. Nesses casos, o primeiro trabalho é aprender a relaxar.
Bolinhas, cones e cursos online
Uma situação comum é a pessoa comprar um acessório, como bolinhas ou cones vaginais, e começar a usar em casa só com a instrução de um vídeo. O Dr. Gustavo faz um alerta aqui, com respeito por quem ensina pompoarismo: se o músculo ainda não tem força nem coordenação para segurar o peso, o acessório não vai ensinar isso sozinho.
Isso não quer dizer que esses objetos sejam ruins. Ele mesmo indica as bolinhas para algumas pacientes, como recurso para perceber melhor o próprio corpo, mas depois de ensinar como usar. A diferença está na orientação feita ao vivo, olhando para o seu caso.
A fisioterapia pélvica também tem recursos que ajudam nesse aprendizado, como o biofeedback, um aparelho que mostra na tela a força da sua contração, e a eletroestimulação, que dá um pequeno estímulo elétrico para o músculo que não consegue contrair sozinho aprender o movimento. Para quem quer entender a origem do treino do assoalho pélvico, vale ler também o artigo sobre os exercícios de Kegel.
Dá para fazer as duas coisas?
Dá, e é assim que o Dr. Gustavo enxerga: não são a mesma coisa, mas são complementares. Ele tem colegas e instrutores de pompoarismo que conhecem muito a prática. O que fica fora do papel de quem ensina pompoarismo é a avaliação de toque, que é tarefa de profissional da saúde.
Por isso a ordem faz diferença. Primeiro, um fisioterapeuta pélvico avalia e ensina você a trabalhar essa musculatura. Depois, com um bom domínio do movimento, quem quiser pode seguir para o pompoarismo com uma base mais segura.
Quando procurar um fisioterapeuta pélvico
Procure um fisioterapeuta pélvico se você perde xixi, gases ou fezes, tem dificuldade para evacuar, sente dor na relação, sensação de flacidez na região íntima ou dificuldade de sentir prazer. Para homens, também vale em caso de ejaculação precoce, dificuldade de ereção ou perda de urina depois de cirurgia de próstata.
E se a sua vontade é só começar o pompoarismo, uma avaliação antes ajuda a saber como o seu músculo está. Na primeira consulta, a conversa vem primeiro, e o toque só acontece se você permitir. Você não precisa de pedido médico para marcar.



