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Como é a primeira consulta de fisioterapia pélvica e o exame de toque?

A primeira consulta é uma avaliação: começa com uma conversa longa sobre o seu histórico e, se você permitir, segue com o exame de toque na musculatura da região íntima. Ninguém é obrigado a fazer o exame no primeiro dia, e ele pode ficar para outro encontro.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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Como é a primeira consulta

A primeira consulta tem duas partes: uma conversa detalhada e, com a sua permissão, uma avaliação física com toque. O Dr. Gustavo faz questão de separar as coisas. O primeiro encontro é uma consulta, e não uma sessão de tratamento. Serve para ele entender o seu caso por inteiro antes de propor qualquer coisa.

Ele avisa com franqueza o que esperar. Quem procura um fisioterapeuta pélvico vai passar por uma avaliação da região íntima, pelo canal vaginal nas mulheres e pelo canal anal nos homens. O assoalho pélvico, o conjunto de músculos que sustenta a bexiga, o útero e o intestino, fica dentro do corpo. Sem examinar, não há como saber em que estado ele está.

A conversa vem primeiro

Antes de qualquer exame vem a anamnese, que é o nome técnico da entrevista sobre a sua saúde. O Dr. Gustavo descreve a dele como um questionário bem extenso. Ele pergunta sobre a parte ginecológica, a urinária, a intestinal e a sexual, se você teve filhos, como o problema começou e o que você sente hoje.

É uma conversa sem tabu, e ela tem uma segunda função. Ele sabe que a pessoa chega tensa, com vergonha, diante de alguém que nunca viu. Conversar bastante ajuda o corpo a relaxar e deixa o resto da consulta mais leve.

“Tudo que eu for fazer eu vou te falar antes. Você topa fazer isso? Você me deixa? Você me permite fazer isso? Eu nunca vou te tocar sem ter a sua permissão.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

O exame de toque, passo a passo

Numa das transmissões, o Dr. Gustavo fez ao vivo a avaliação de uma paciente que nunca tinha passado por isso, narrando cada etapa. O roteiro foi este:

  • Antes do exame, ele costuma pedir que você faça xixi
  • Ele coloca a luva e passa gel lubrificante
  • Introduz um dedo e combina que você avise se sentir dor ou desconforto
  • Pressiona de leve para baixo, o que pode dar um pouco de vontade de fazer cocô
  • Gira o dedo para um lado e para o outro, perguntando se algum ponto dói
  • Vira para cima, onde encosta na bexiga, e aí pode vir vontade de fazer xixi
  • Pede que você tussa
  • Pede três apertos com o máximo de força e, depois, que você segure a contração pelo maior tempo que conseguir

O que você sente e o que ele descobre

Na transmissão, a paciente descreveu pressão e vontade de urinar, sem dor. É o que costuma acontecer. Se algum ponto doer, é só avisar. Essa parte física leva em torno de vinte minutos.

Com esse exame o fisioterapeuta enxerga o que nenhuma conversa mostra: a força do músculo, quanto tempo ele aguenta contraído, se há tensão ou pontos doloridos, como estão os reflexos e se algum órgão desceu. Ele também observa a respiração e a barriga enquanto você contrai. É comum, por exemplo, a pessoa prender o ar na hora de apertar sem perceber.

O Dr. Gustavo gosta de fazer essa avaliação já no primeiro dia porque ela dá uma visão clara da gravidade do problema e orienta o plano. Para ele, não existe boa fisioterapia pélvica sem avaliação de toque, em homem ou em mulher.

O toque só acontece com a sua permissão

Tudo é explicado antes. Ele diz o que vai fazer, pergunta se você topa e só então faz. Nem todas as pessoas aceitam o exame no primeiro contato, e isso é respeitado. Nas palavras dele, ninguém é obrigado.

Quando há medo ou dor, como no vaginismo, em que a musculatura da entrada da vagina se fecha sem a pessoa querer, é comum o exame ficar para outro dia. A consulta não fica perdida por isso. Dá para começar por outras condutas, como a respiração e a consciência do próprio corpo, e deixar o toque para quando você se sentir preparada.

Ele também reconhece que ser homem pode intimidar algumas pacientes. Se você preferir ser atendida por uma mulher, ele indica uma colega sem problema nenhum.

Vergonha e acompanhante

Sentir vergonha é normal. O Dr. Gustavo não finge o contrário: ninguém acha confortável se despir e ser examinado por um desconhecido. O que ele pede é que isso seja um detalhe pequeno diante do que você veio tratar. Passada a primeira avaliação, as sessões seguintes costumam ser bem mais tranquilas.

Do lado dele, o olhar é profissional. Ele repete que não repara se o corpo é gordo, magro ou de que cor é. O que interessa é a musculatura. É um exame que ele faz todos os dias, com a mesma naturalidade.

Você pode vir acompanhada. Ele costuma convidar o parceiro a participar, até para entender como o tratamento funciona, e já atendeu paciente que veio com a irmã. O atendimento é individual.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Se você perde xixi, sente dor na relação, tem dificuldade para evacuar ou percebe um peso na região íntima, a primeira consulta é o ponto de partida. O mesmo vale para homens com alteração na ereção, na ejaculação ou depois de cirurgia de próstata.

Não precisa de pedido médico e não precisa chegar decidida a fazer o exame. Venha para a conversa. O toque acontece quando você permitir, e é a partir dele que o tratamento é pensado para o seu caso.

Dúvidas sobre este tema

Quanto tempo dura a primeira consulta?

Em média de uma hora a uma hora e meia. A maior parte desse tempo é conversa sobre o seu histórico, e a avaliação física, quando você permite, ocupa a parte final.

Fisioterapia pélvica pode ser feita em grupo?

A avaliação e o começo do tratamento precisam ser individuais, porque a pessoa fica sem roupa e o exame é na região genital. Um trabalho em grupo só faz sentido mais adiante, quando todos já aprenderam a respirar e a movimentar a pelve.

O atendimento é por convênio?

Não. O atendimento do Dr. Gustavo é particular. Quem tem plano de saúde pode verificar com a operadora a possibilidade de reembolso.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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