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Ressecamento e dor na relação na menopausa: o que fazer

Ressecamento e dor na relação na menopausa têm o que fazer: o cuidado olha ao mesmo tempo para a pele da região, que ficou fina e seca, e para os músculos do assoalho pélvico. A fisioterapia pélvica faz essa parte, junto com o acompanhamento do seu ginecologista.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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Tem o que fazer, e começa por entender o que mudou

Ressecamento e dor na relação na menopausa têm o que fazer, e o caminho é cuidar ao mesmo tempo da pele da região íntima e dos músculos do assoalho pélvico, com fisioterapia pélvica e o acompanhamento do seu ginecologista. Para entender por que, vale saber de onde vem a lubrificação.

A lubrificação feminina tem três origens: um pouco vem do útero, um pouco vem de glândulas pequenas na entrada da vagina, como a glândula de Bartholin, e a maior parte vem do próprio canal vaginal, que produz lubrificação o dia inteiro. O que faz tudo isso funcionar é a circulação de sangue na região, que o Dr. Gustavo chama de vascularização.

Na menopausa, os ovários param de produzir estrogênio, e esse hormônio é justamente o que mantém a região bem irrigada. Com menos sangue chegando, a pele fica mais fina, mais seca e mais frágil. Chegar nessa fase não quer dizer que você vai ter problema. Quer dizer que a região passa a pedir mais cuidado.

Síndrome geniturinária da menopausa: o nome do conjunto

A vulva, a vagina, a uretra, a bexiga e os músculos do assoalho pélvico dependem do estrogênio. Por isso, quando ele cai, as queixas aparecem juntas. Esse conjunto se chama síndrome geniturinária da menopausa, e antes era conhecido como atrofia vaginal. Atrofia, aqui, quer dizer que o tecido ficou mais fino.

Os sinais mais comuns são estes:

  • Sensação de vagina seca no dia a dia, não só na relação
  • Ardência ou queimação na região
  • Ardência ao urinar que parece infecção
  • Pequenas fissuras, que são cortinhos na pele
  • Dor na penetração
  • Vontade urgente de ir ao banheiro ou escape de urina
“O que eu acho que é importante é saber se você está com baixa lubrificação, com ardência, com alguma fissura na região ou dor na relação sexual.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

Por que a dor na relação vira um ciclo

Com a pele fina e pouca lubrificação, a penetração gera atrito. O atrito machuca, pode abrir fissuras, e a musculatura do assoalho pélvico trava para se proteger. Na próxima relação, o corpo já espera a dor e trava antes. Músculo tenso não é músculo forte, e um músculo travado deixa a penetração ainda mais difícil.

Junto com isso, o desejo também pode cair nessa fase. Só que a excitação é um dos maiores estímulos para a lubrificação, porque traz sangue para a região. Quando a relação dói, a mulher evita, a região recebe menos circulação e o ressecamento piora. É comum também a mulher ficar um tempo sem relações e, ao voltar, perceber que a pele ficou fina e que dói.

Por isso o Dr. Gustavo insiste em conversar sobre o assunto sem tabu. Falar de lubrificação, de desejo e de dor faz parte da avaliação, porque tudo isso se mistura.

E a perda de urina que aparece junto?

Os músculos do assoalho pélvico também dependem do estrogênio e perdem força na menopausa. A uretra, o canal por onde sai o xixi, tem colágeno na sua parede, e essa parte também se enfraquece. Nem toda mulher na menopausa perde urina, mas essa fase favorece o escape.

Perder xixi não é normal em idade nenhuma, mesmo que seja pouco. A parte que segura a urina é o músculo, e músculo se trabalha com treino orientado. Vale também saber que a ardência ao urinar nem sempre é infecção. Infecção urinária é diagnosticada e tratada pelo médico, com exame de urina. Se o exame não mostra infecção e a ardência continua, ela pode vir da pele fina da região.

O que a fisioterapia pélvica faz

Tudo começa pela avaliação, porque cada mulher chega com uma mistura diferente de secura, dor e fraqueza. Se há dor, o primeiro passo é relaxar a musculatura, e não fortalecer. Depois, quando há indicação, entram recursos que estimulam a circulação e o colágeno da região, sempre com o objetivo de conforto e de função:

  • Radiofrequência: aquece o tecido de forma profunda, deixa a região mais flexível e ajuda a musculatura a relaxar
  • Laser de baixa intensidade e LED: luz vermelha e infravermelha de pouca potência, usada para aliviar a dor e estimular a circulação
  • Eletroestimulação: estímulo elétrico leve, com uma sonda intravaginal, que ativa a mucosa e a musculatura
  • Exercícios do assoalho pélvico, para relaxar ou fortalecer conforme a avaliação
  • Orientações de casa: beber água ao longo do dia, usar lubrificante na relação e cuidar da hidratação da região

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Procure avaliação se a secura incomoda no dia a dia, se arde, se a relação passou a doer ou se começou a escapar urina. Nenhum aparelho funciona sozinho. Os recursos entram dentro de um plano, junto com o trabalho do músculo e com o acompanhamento do seu ginecologista, que é quem avalia se você precisa de tratamento hormonal.

Não é preciso pedido médico. A primeira consulta é uma conversa sobre a sua história. O exame de toque é explicado antes e só acontece com a sua permissão, e pode ficar para outro dia se você preferir.

Dúvidas sobre este tema

Só usar lubrificante resolve o ressecamento?

O lubrificante diminui o atrito na relação e é recomendado nessa fase, mesmo quando você sente que lubrifica. Mas ele não muda a pele fina nem o músculo que trava. Por isso ele entra como parte do cuidado, junto com a avaliação.

Estou usando creme hormonal. Posso fazer fisioterapia pélvica?

Pode. O tratamento hormonal é decisão do seu ginecologista e cuida do tecido. A fisioterapia pélvica cuida do músculo e da circulação da região. Uma coisa não substitui a outra.

O laser que o fisioterapeuta usa é o laser íntimo?

Não. O laser usado no consultório é de baixa intensidade, uma luz de pouca potência aplicada sobre a pele para aliviar a dor e estimular a circulação. O laser íntimo é outro aparelho, de alta potência.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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