Qual a diferença entre os três nomes
A diferença está em quando e onde dói. No vaginismo, a musculatura da entrada da vagina se fecha sem você mandar, e a penetração muitas vezes nem acontece. Na dispareunia, a penetração acontece, só que com dor. Na vulvodínia, a queixa principal é uma queimação na parte de fora, a vulva, que pode aparecer mesmo sem relação.
O Dr. Gustavo explica que hoje esses três quadros ficam debaixo de um mesmo guarda-chuva, chamado dor genitopélvica. Mesmo assim, ele acha útil separar cada um, porque a descrição da dor já orienta por onde começar a investigar. E nada impede que a mesma mulher tenha mais de um ao mesmo tempo.
Dispareunia: dor na entrada ou lá no fundo
Dispareunia é a dor persistente no início, durante ou depois da penetração. Ela pode ser superficial, sentida na entradinha do canal vaginal, que é a forma mais comum, ou profunda, mais interna. Às vezes o incômodo continua por algum tempo depois da relação.
Quando a paciente conta que não dói no começo, só quando a penetração vai lá no fundo, o Dr. Gustavo pensa em duas hipóteses para levar ao ginecologista. Uma é o prolapso, que é a queda de um órgão, como a bexiga ou o útero. A outra é a endometriose, principalmente em quem tem cólica e dor fortes desde as primeiras menstruações. O diagnóstico dessas condições é do médico, e o fisioterapeuta pélvico ajuda nesse processo com a avaliação da musculatura.
Ele também lembra de perguntar sobre cirurgias na região e sobre cicatrizes de parto. Um tecido que cicatrizou rígido, sem flexibilidade, pode doer na hora da penetração.
“Vaginismo é quando você não consegue a penetração. Na dispareunia você tem a penetração, porém com dor.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal
Vulvodínia: a queimação que não depende da relação
A vulvodínia é uma dor crônica, o que quer dizer que dura pelo menos três meses, e a marca dela é a queimação. Ela fica na vulva e vai, no máximo, até a entrada do canal vaginal. A grande diferença para a dispareunia é que não precisa haver penetração para doer. A queimação pode aparecer só de ficar muito tempo sentada, e roupas muito apertadas acabam sensibilizando ainda mais a região.
Numa das lives, uma espectadora perguntou se era normal o tecido da calcinha incomodar de tão sensível que a região estava. A resposta foi que não é normal. Pode ser uma hipersensibilidade da região genital e, em alguns casos, vulvodínia, que segundo ele é um quadro difícil de diagnosticar.
Na avaliação, o Dr. Gustavo usa um teste simples. Ele encosta de leve um cotonete em alguns pontos da vulva, dos dois lados, sem nenhum toque interno. Quem tem vulvodínia costuma referir queimação só com esse contato. O trabalho, nesse caso, é de dessensibilização, feito na prática e aos poucos.
Vaginismo: quando o corpo fecha a porta
O vaginismo é um espasmo involuntário da musculatura do assoalho pélvico, o conjunto de músculos que forma o chão da pelve e envolve a entrada da vagina. Ele vem junto com o medo de sentir dor. É a mulher que, só de pensar no exame ginecológico, já começa a transpirar dias antes.
Segundo o Dr. Gustavo, o vaginismo tem graus. E é comum que, depois de um tratamento, a mulher passe a conseguir a penetração, mas ainda com dor. Nessa hora, nas palavras dele, ela saiu do vaginismo para a dispareunia. É um avanço, só que o caminho ainda não terminou. Se ainda existem pontos doloridos na musculatura, os chamados pontos gatilho, é sinal de que a tensão em excesso não foi totalmente desfeita.
Ele observa que isso acontece muito com quem interrompe o acompanhamento no meio ou deixa de fazer em casa o que aprendeu. Vale uma nova avaliação para ver o que faltou trabalhar, como respiração, mobilidade da pelve, alongamento e liberação miofascial, que é a soltura manual dos tecidos que envolvem o músculo.
O que os três têm em comum
Na experiência do Dr. Gustavo, a maior parte das dores na penetração tem um componente muscular: uma musculatura tensa, que não sabe relaxar. E a dor alimenta a própria tensão. Dor é contração. O músculo contraído em excesso atrapalha a circulação de sangue no local, e com menos sangue a região perde sensibilidade. É por isso que muitas mulheres contam que, quando dói, a excitação vai embora. Com o tempo, a lubrificação e o desejo também sofrem.
Daí vem um aviso que ele repete: se você tem dor na relação, não faça exercícios de contração por conta própria. A musculatura costuma estar rígida, e o aperta e solta da internet pode deixar tudo ainda mais tenso. Primeiro se avalia e se devolve flexibilidade. Fortalecer, se for o caso, fica para depois.
Quando procurar um fisioterapeuta pélvico
Procure uma avaliação se a penetração dói, não acontece, ou se você sente queimação na vulva há semanas, com ou sem relação. Também vale procurar se você já fez um tratamento e a dor continua. Você não precisa chegar sabendo qual dos três nomes é o seu. Descobrir isso faz parte da avaliação, e não é preciso pedido médico.
O Dr. Gustavo atende dor na relação e vaginismo também em consulta online, para entender o histórico e orientar o que fazer em casa. As técnicas manuais, como a liberação dos pontos de tensão, dependem do consultório. E, se a dor for lá no fundo, vale levar a queixa também ao ginecologista.



