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Vaginismo: o que é e como tratar

Vaginismo é uma contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico, que fecha a entrada da vagina e deixa a penetração dolorosa ou impossível, quase sempre ligada ao medo de sentir dor. O cuidado passa por relaxar, respirar e dar movimento à pelve, no seu tempo, e a primeira consulta não exige toque.

Por Dr. Gustavo Travassos, fisioterapeuta pélvico

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O que é o vaginismo

Vaginismo é uma contração involuntária dos músculos que ficam na entrada da vagina, que fecha a passagem e deixa a penetração dolorosa ou impossível. Involuntária quer dizer que você não manda nela. Você pode ter desejo, vontade e carinho pelo seu parceiro, e mesmo assim o corpo trava.

Esses músculos fazem parte do assoalho pélvico, o conjunto de músculos que forma o chão da pelve. O Dr. Gustavo explica que o assoalho tem uma parte mais profunda e uma parte mais superficial, mais perto da pele. No vaginismo, quem se fecha é a parte superficial. Por isso a dor do vaginismo fica na entradinha, e não lá no fundo.

Se você se reconheceu, saiba de uma coisa logo de início: não é frescura, não é falta de vontade e não é culpa sua. É o corpo tentando proteger você.

Por que o corpo se fecha: o papel do medo

Na definição usada pelos profissionais de saúde, o vaginismo vem acompanhado do medo de sentir dor na penetração. E esse medo raramente nasce do nada.

Muitas mulheres cresceram ouvindo que a primeira vez dói muito, que sexo é sofrido, que é algo ruim. Às vezes uma mãe fala isso sem perceber, e a frase fica guardada. Em outros casos houve uma primeira experiência dolorosa, uma relação abusiva, um trauma ou um abuso. Também conta a falta de conhecer o próprio corpo, porque muitas mulheres nunca tiveram liberdade para se tocar e se conhecer.

O corpo registra tudo isso. Na hora da penetração, ele entende o momento como uma ameaça e se defende do único jeito que sabe, fechando o músculo. E aí forma-se um ciclo: dói, o medo cresce, e só de pensar na penetração a musculatura já se contrai.

“Calma, vamos devagar. A avaliação física é importante, mas a gente não precisa chegar a isso a todo custo e não precisa ser na primeira consulta.”Dr. Gustavo Travassos, em vídeo no canal

Sinais que podem indicar vaginismo

O vaginismo é mais frequente em mulheres jovens que estão começando a vida íntima, mas também aparece depois da menopausa, quando a mulher volta a ter relações. Alguns sinais comuns:

  • Na hora da penetração, parece que fecha e nada passa.
  • A penetração acontece, mas dói muito na entrada.
  • Não consegue usar absorvente interno.
  • O exame ginecológico é muito dolorido, ou não dá para fazer.
  • Você tem vontade, mas o corpo não relaxa.
  • Só de pensar na relação, você já fica tensa.

Por que contrair piora

Na internet é comum a recomendação do famoso aperta e solta. No vaginismo, esse é justamente o exercício que não se deve fazer por conta própria. Aperta e solta é exercício de força, e o músculo de quem tem vaginismo já está tenso, rígido, duro como uma pedra.

O Dr. Gustavo costuma comparar com o pescoço de quem passa o dia inteiro no computador. Ninguém resolve um pescoço travado fazendo mais força com ele. Músculo tenso não é músculo forte, e contrair um músculo que já está contraído aumenta a tensão e pode piorar o quadro.

Por isso o caminho é o contrário: primeiro relaxar e dar flexibilidade, e só depois, se for o caso, aprender a contrair.

Como a fisioterapia pélvica trata o vaginismo

Não existe remédio, aparelho ou procedimento que, sozinho, trate o vaginismo, porque ele é uma reação do músculo. O cuidado passa por trabalhar o corpo, com acompanhamento, e respeitando o seu ritmo. Alguns recursos que fazem parte desse trabalho:

Pedir para você simplesmente relaxar não funciona, e um copo de vinho também não. Relaxar é uma habilidade que o corpo aprende com técnica, prática e, principalmente, confiança. O dilatador pode entrar como recurso, mas só mais para o fim do tratamento e com orientação.

  • Respiração: muita gente respira curto, só com o peito. Respirar devagar, pelo nariz, avisa ao corpo que ele está seguro.
  • Mobilidade da pelve: movimentos como empinar e encaixar o quadril, ou balançar a pelve de um lado para o outro. Muitas mulheres com vaginismo têm o quadril rígido, e dar movimento a ele ajuda a soltar a região.
  • Alongamento da parte interna das coxas, que costuma ficar dura em quem vive se fechando de medo.
  • Massagem perineal e liberação miofascial: técnicas manuais feitas pelo fisioterapeuta para deixar a entrada da vagina mais flexível. A fáscia é uma capa fina que envolve o músculo, e liberar quer dizer soltar os pontos de tensão.
  • Conhecer o próprio corpo, com a ajuda de modelos anatômicos que mostram onde fica cada músculo.

Quando procurar um fisioterapeuta pélvico

Se a penetração dói ou não acontece, se o absorvente interno ou o exame ginecológico são um sofrimento, vale procurar um fisioterapeuta pélvico. Dor na relação não é normal e você não precisa enfrentar isso sozinha. Não é preciso pedido médico.

A primeira consulta é, antes de tudo, conversa. Você conta a sua história, seus medos e suas dúvidas, sem julgamento. Muitas vezes a consulta fica só nisso, e está tudo bem. O toque não é obrigatório no primeiro dia. Quando acontecer, será com a sua permissão, com termo de consentimento, começando por fora, sem penetração, e você pode pedir para parar a qualquer momento. Se você se sentir mais segura, seu parceiro pode acompanhar.

Dúvidas sobre este tema

Vaginismo tem a ver com falta de desejo?

Não. Muitas mulheres com vaginismo têm desejo e vontade. O que acontece é que o músculo se fecha sem que elas consigam controlar, quase sempre ligado ao medo de sentir dor.

Se a dor é lá no fundo, pode ser vaginismo?

Provavelmente não. No vaginismo a dor fica na entrada da vagina, porque quem se contrai é a parte mais superficial do assoalho pélvico. Dor profunda tem outras causas possíveis e também merece avaliação.

Vou precisar tirar a roupa na primeira consulta?

Não necessariamente. A primeira consulta é principalmente conversa. A avaliação física pode ficar para outro dia e só acontece com a sua permissão e termo de consentimento.

Dr. Gustavo Travassos

Quem atende: Dr. Gustavo Travassos

Fisioterapeuta pélvico formado em 2005. Por 15 anos cuidou do serviço de fisioterapia uroginecológica do Instituto de Urologia Santa Rita, em São Paulo. Hoje atende em consultório próprio na Vila Clementino e tem nota 5,0 em 250 avaliações de pacientes no Doctoralia. Conheça a trajetória

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